Clima nos EUA: Riscos de persistência da seca em 2013 aumentam

Publicado em 17/01/2013 13:01 e atualizado em 18/01/2013 10:53
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O risco da seca prejudicar a safra de soja e milho dos Estados Unidos pelo segundo ano consecutivo está aumentando com as previsões dos meteorologistas de uma persistência do clima seco no Meio-Oeste e nas Grandes Planícies neste ano. Essas condições climáticas deverão se estender até abril, quando se inicia a temporada de plantio no país. 

"A seca persistirá até maio com temperaturas muito altas e chuvas abaixo do normal no oeste do Meio-Oeste norte-americano. Cerca de 50% dessa região continuará sofrendo com a seca", disse o diretor de serviços de agricultura do instituto de meteorologia dos EUA Commodity Weather Group LLC. 

Enquanto as chuvas de Louisiana a Ohio melhoraram a umidade do solo para alguns produtores no mês passado, e melhorou a navegação no rio Mississipi, as precipitações acabam sendo um sinal revelador de uma intensificação do padrão do fenômeno La Niña e do aumento dos riscos de seca nos EUA em 2013, segundo o presidente da Climate Impact Co, de Massachusetts, Scott Yuknis. O especialista afirmou ainda que as águas mais frias do oceano Pacífico e mais quentes do norte do Atlântico também estão sinalizando outro ano quente e seco para as lavouras dos Estados Unidos. 

"A maior parte da região central dos EUA permanecerá seca nos próximos 90 dias, e a estiagem irá se intensificar do Texas às Pradarias Canadenses e grande parte do sudeste dos EUA. Nós já estamos com os déficits de umidade do solo maiores do que os do ano passado. Este verão poderá apresentar uma área de seca e calor possivelmente maior do que no ano passado", afirmou Scott Yuknis.

Este ano, o mais alto de risco com a seca e altas temperaturas está em uma área com um formato de diamante que vai de Waco a Texas, de Denver a International Falls e de Minnesota a St. Louis, segundo explicou Fred Gesser, agrometeorologista sênior do instituto Planalytics. Essa região inclui, portanto, o estado de Iowa, o maior produtor de soja e milho do país, onde a maioria das lavouras é plantada em junho. 

"Há 70% de probabilidade de a seca registrada no ano passado permanecer em 2013. Haverá um ligeiro alívio para umidade do solo nos próximos três ou quatro meses, o que significa dizer que haverá um aumento do stress para culturas que são plantadas em campos secos". afirmou Gesser.  

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Foto: Bloomberg

Estado de Desastre - Quase 42% dos estados dos Estados Unidos estavam em condições de uma seca excepcional até o último dia 8, de acordo com dados divulgados pelo governo norte-americano. Este índice é de mais do que o dobro do registrado há um ano, antes da pior estiagem desde 1930 atingir a localidade e provocar uma séria quebra nas colheitas de milho e soja. 

Na semana passada, o governo norte-americano anunciou estado de desastre por conta da seca em 597 municípios, localizados, principalmente em estados do Sul e Sudoeste do país. A notícia fez com que produtores locais desses condados e de outros 285 recorressem a empréstimos de emergência com juros menores. 

Uma área recorde de 2,8 milhões de acres de terra do Programa de Conservação de Reserva foi aberta, permitindo a produção de feno e a criação de gado como uma medida de emergência para ajudar os pecuaristas que vêm sendo atingidos pela estiagem. Em 2012, a produção de feno caiu 8,6%, para 120 milhões de toneladas, a menor desde 1964. Isso aumentou a demanda dos criadores por grãos para alimentar gados de corte e vacas leiteiras. 

2012 foi o ano mais quente já registrado nos Estados Unidos desde 1895 para os 48 estados, e o segundo pior para extremos climáticos, incluindo secas, furacões e e incêdios florestais, de acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia do país. 

Os atuais padrões climáticos e de múltiplos anos de seca são similares aos das décadas de 1930 e 1950, quando o centro das secas nos Estados Unidos se movia a cada ano. 

Preços - Os preços da soja e do milho atingiram seus recordes no ano passado em decorrência das perdas com a seca nos EUA e, na Grandes Planícies, o trigo de inverno ainda é castigado em campos muito secos. Em novembro, as condições climáticas nas planícies eram as piores desde 1985, o que também levou os preços do cereal a registrarem importantes patamares no mercado internacional.

Com informações da agência Bloomberg. 
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Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas

2 comentários

  • salvador reis neto Santa Tereza do Oeste - PR

    e difícil, mas não impossível... afinal por aqui já passamos por isso nos anos 2000, anos seguidos seca muitos prejuízos... infelizmente pra um rir, outro tem que chorar.

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  • flavio denardin Braganey - PR

    posso comfia nesa noticia.

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