Milho: Devido à alta do dólar e em Chicago, semana foi de reação nos preços praticados no Brasil

Publicado em 03/10/2014 17:53 379 exibições

Diante da alta do dólar e dos ganhos registrados na Bolsa de Chicago durante essa semana, os preços praticados no Brasil registraram valorização em algumas praças. Segundo levantamento do Notícias Agrícolas, no Porto de Paranaguá, a alta acumulada na semana foi de 4,44%, com a saca cotada a R$ 23,50.

Em Jataí (GO), a alta foi de 1,47% e a saca do cereal terminou a semana negociada a R$ 16,60. Já em Campo Novo do Parecis (MT), o ganho foi de 4,17%, com a saca cotada a R$ 12,50, em São Gabriel do Oeste (MS), a saca fechou a sexta-feira negociada a R$ 15,50, com valorização de 1,97%. Na contramão desse cenário, a semana foi de queda para as praças de Ubiratã (PR) e Luís Eduardo Magalhães (BA), com o preço do milho a R$ 17,50 e R$ 18,00, respectivamente.

Nos últimos dias, a moeda norte-americana subiu expressivamente e chegou a R$ 2,50 nesta sexta-feira. O câmbio tem sido impulsionado, principalmente pelas pesquisas eleitorais que foram divulgadas ao longo desta semana.

Frente a esse cenário, não houve melhora significativa na comercialização, uma vez que os produtores ainda seguram boa parte da safrinha à espera de melhores oportunidades e, por outro lado, os compradores estão em situação confortável. Em contrapartida, as exportações continuam lentas e somaram nos primeiros 9 meses de 2014, os embarques do cereal somam 11 milhões de toneladas, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior. O número representa uma queda de 30% em comparação com o mesmo período de 2013.

Consequentemente, os analistas sinalizam que é possível que o país não consiga exportar o indicado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), de 21 milhões de toneladas. “Deveremos ter um número próximo de 17 a 18 milhões de toneladas e irá sobrar um estoque importante para o próximo ano. Mas, ainda não há uma garantia de uma boa safra de milho na safra de verão e da safrinha, por enquanto, temos uma incógnita”, diz o consultor Ênio Fernandes.

Clima no Brasil

A partir de agora, o analista destaca que o clima no Brasil também será um importante componente do mercado. E, por enquanto, as previsões climáticas indicam uma bolha de seca para os estados de Mato Grosso do Sul e Goiás e as chuvas só deverão retornar para essas regiões no mês de novembro.

“A perspectiva é que haja um atraso de 30 dias no plantio da soja e, consequentemente, mais adiante haverá um atraso também na colheita da oleaginosa e um atraso no cultivo do cereal. E, se essa situação persistir teremos uma transformação para o mercado de milho para a próxima safra, pois deveremos ter uma disputa pelas sementes de milho, já que menos tempo de plantio é equivalente a menor área. Frente a esse quadro, o demandador que está tranquilo, irá tentar formar algum estoque e essa situação terá um impacto mais importante do que nós imaginamos”, acredita o consultor. 

Bolsa de Chicago

Os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o pregão desta sexta-feira (3) com ligeiras altas. As principais posições da commodity encerraram o dia com ganhos entre 0,50 e 0,75 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,23 por bushel. Apesar do movimento positivo, influenciado pelas previsões de chuvas fortes nos EUA, o saldo da semana é negativo. Ao todo, os contratos acumulam perdas entre 0,56% e 0,62%. 

De acordo com informações reportadas pela agência internacional de notícias Bloomberg, na última quarta-feira (1), o vencimento dezembro/14 recuou ao menor patamar desde setembro de 2009, ao tocar o nível de US$ 3,18 por bushel. Como principal fator de pressão sobre os preços está a expectativa de colheita de uma safra recorde de milho nos EUA nesta safra.

Por enquanto, a perspectiva é que sejam colhidas em torno de 365,65 milhões de toneladas, conforme dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Entretanto, as consultorias já apontam para uma safra acima do projetado. Nesta semana, a INTL FCStone estimou a produção norte-americana em 379,95 milhões de toneladas, com produtividade em torno de 188,82 sacas por hectare.

Ainda nesta sexta-feira, a Informa Economics projetou a safra dos EUA em 365,65 milhões de toneladas, com rendimento médio de 186,7 sacas por hectare. Porém, os analistas destacam que os relatos vindos dos campos indicam uma produção ainda maior, fator que exercido pressão negativa sobre o mercado. 

Em contrapartida, os analistas destacam que o mercado ainda pode recuar até encontrar um suporte. Situação que deve acontecer quando a colheita de milho nos EUA chegar a metade, uma vez que a tendência é que os produtores norte-americanos segurem ainda mais o produto. "A expectativa é que o mercado encontre o mínimo tanto para soja como para milho, quando estivermos com mais de 50% colhido. Com isso, o mercado deve encontrar um nível de conforto, com 40 cents para cima ou para baixo", ressalta o consultor de mercado Ênio Fernandes.

Segundo o site DTN Progressive, será preciso acompanhar o contrato dezembro até o final deste mês. Isso porque, se o vencimento terminar outubro acima dos US$ 3,19 por bushel, é possível que o mercado esboce uma reação. 

Clima nos EUA

As previsões climáticas foram os principais fatores de sustentação aos preços nesta sexta-feira. Os mapas indicam que chuvas fortes deverão atingir o Meio-Oeste e o Centro-Sul dos EUA nos próximos dias, conforme informações de sites internacionais. 

Com isso, a perspectiva é que haja um atraso significativo na colheita norte-americana de milho e soja no país. E para as próximas duas semanas, as previsões também indicam que essas precipitações continuem. Até o último domingo, cerca de 12% da área cultivada nesta safra havia sido colhida, segundo dados do USDA. O departamento irá atualizar os números na próxima segunda-feira (6).

"Até agora, os mapas climáticos não mostram grandes preocupações para os produtores norte-americanos. Mas o mercado fica nervoso, pois as origens não vendem e a produtividade das lavouras são boas", destaca o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes.

Se na segunda-feira, o USDA apontar um atraso da colheita, mas os mapas indicarem tempo aberto, não haverá mudança nos preços. "Porém, se chegarmos na segunda-feira com colheita normal, mas com previsões de chuvas e até ocorrência de neve mais adiante, nos próximos 15 a 20 dias, o mercado pode puxar um pouco para cima", completa o consultor.

Veja como fecharam os preços do milho nesta sexta-feira:

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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