Em Chicago, soja fecha o dia com altas de dois dígitos nesta 5ª feira

Publicado em 22/05/2014 17:36 2506 exibições

A soja fechou mais uma sessão com boas altas na Bolsa de Chicago. No pregão desta quinta-feira (22), as altas nos primeiros vencimentos chegaram a superar os 25 pontos e o contrato julho superou os US$ 15,30 por bushel. No entanto, ao final do pregão, as cotações se retraíram ligeiramente, mas ainda assim terminaram o dia com ganhos de dois dígitos, entre 13,50 e 20 pontos.

Frente a isso, a nova resistência do primeiro vencimento passa a ser algo entre US$ 15,50 e US$ 15,70 por bushel, segundo Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting. "Para chegar aos US$ 16,00 são necessárias notícias novas, porque os fundamentos já são conhecidos", diz. 

No entanto, esse quadro fundamental ainda é o principal fator não só de sustentação, mas também de estímulo à commodity no mercado internacional. Os investidores ainda refletem os estoques historicamente ajustados nos Estados Unidos, uma oferta preocupantemente escassa e a demanda mundial crescente, principalmente por parte da China. 

Crescimento da demanda chinesa

A nação asiática tem demonstrado nos últimos anos um crescimento no consumo de carnes, ovos, leite e queijos, o que também, segundo explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting, e esse tem sido um importante fator de suporte para as cotações. 

Esse movimento deve acarretar, portanto, a demanda por soja em grão, que é matéria-prima para todos esses produtos, principalmente por meio do farelo de soja. Assim, UM aumento da produção nos EUA e na América do Sul, principalmente Brasil, Argentina e Paraguai - que devem registrar áreas recorde de plantio na temporada seguinte - faz com que os preços desses produtos cheguem ao consumidor final mais atrativos, provocando um aumento da demanda. 

Nesta quinta-feira, o Instituto de Agricultura e Pesquisas Econômicas da Austrália divulgou uma estimativa de que as importações de carnes por parte da China, até 2050, deverão aumentar 3500%, alcançando uma receita de US$ 150 bilhões. 

O aumento da classe média no país é uma das razões para esse aumento do consumo. Nas últimas semanas, os preços dos ovos e dos suínos passaram por um rally, estimulando a compra de 600 mil toneladas de soja por parte dos processadores chineses. Esse cargo deverá ser embarcado somente após o dia 1º de abril. 

Relatório de Exportações Semanais do USDA

Confirmando essa intensa e ainda muito presente força da demanda, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) com números acima do esperado pelo mercado. Não só as exportações de soja em grão têm avançado, como também as de farelo e óleo. 

Na semana que terminou no dia 9 de abril, as vendas norte-americanas de soja referentes à safra 2013/14 ficaram em 164,4 mil toneladas, contra 73,6 mil toneladas reportadas na semana anterior. O volume ficou bem acima das expectativas, que eram de no máximo 80 mil toneladas diante do alto volume da oleaginosa dos EUA já comprometido. 

O USDA estima que, em todo o ano comercial, o qual termina em agosto, os Estados Unidos exportem 43,5 milhões de toneladas. As vendas para exportação, no entanto, já passam de 44,9 milhões de toneladas no acumulado da temporada e os embarques efetivos já se aproxima de 42 milhões de toneladas. 

No caso do óleo de soja, as vendas somaram 41,3 mil toneladas, com 40 mil destinadas à China, e o acumulado do ano subiu para 634,8 mil toneladas. O departamento americano aposta em vendas de 750 mil toneladas. As exportações de farelo de soja também estão aceleradas e, na semana em questão, foram de 186,3 mil toneladas. O USDA estima as exportações em 10.070 milhões de toneladas e até o momento já vendeu 9.400,5 milhões. 

Segundo Brandalizze, diante desses números, o que se espera é que no próximo boletim de oferta e demanda O USDA aumente as estimativas para essas exportações "para que as contas fechem". 

Vendas paradas na Argentina

Paralelamente, na Argentina, produtores sofrem com as chuvas excessivas comprometendo o bom desenvolvimento da colheita. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires informou, nesta quinta-feira, que apenas 69,9% da área já está colhida, apresentando um aumento de apenas 3 pontos percentuais em relação à semana anterior. Em anos anteriores, o índice era de 90% para esse mesmo período. 

A instituição acredita que a produção argentina alcance 55,5 milhões de toneladas, com um aumento de 14,85 em relação ao ciclo anterior. No entanto, as vendas chegam a apenas 30% do total, já que os sojicultores têm evitado efetivar novas vendas diante de um momento ainda desfavorável - com o peso extremamente desvalorizado diante do dólar - e com cerca de US$ 5,00 por bushel ficando para as chamadas retenciones, o imposto de 35% pago pelo sojicultor argentino pela soja exportada, ainda segundo Vlamir Brandalizze.  

Veja como fechou também o mercado do milho:

Milho: Demanda firme e previsão de chuvas nos EUA sustentam preços em Chicago

Por Fernanda Custódio

Os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o pregão desta quinta-feira (22) do lado positivo da tabela. Ao longo das negociações, as cotações sustentaram os ganhos e fecharam o dia com leves altas entre 1,50 e 2,25 pontos. O vencimento julho/14 era cotado a US$ 4,76 por bushel, valorização de 0,5% em relação ao último pregão.

Após as perdas recentes, o mercado encontrou suporte na demanda firme, segundo explica o analista de mercado da New Agro Commodities, João Pedro Corazza. Nesta quinta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unido) reportou as vendas para exportação de milho dos EUA referente à safra 2013/14, em 507,90 mil toneladas até o dia 15 de maio.

O índice representa um crescimento de 48% em relação à última semana, na qual, o órgão reportou 343 mil toneladas. Já para safra 2014/15, o número ficou em 62,7 mil toneladas, contra 47,3 mil toneladas divulgadas anteriormente.

Além disso, as informações de chuvas para as áreas produtoras de milho nos EUA também contribuíram para dar sustentação os preços futuros. "A partir de domingo, as previsões indicam bons volumes de chuvas, situação que pode prejudicar a janela de plantio do grão", explica Corazza.

Até o dia 19 de maio, a semeadura do milho estava completa em 73% da área projetada para a safra 2014/15, segundo dados do USDA. O número está próximo da média dos últimos cinco anos, de 76%. 

Segundo a analista em agronegócio da Céleres Consultoria, Aline Ferro, o mercado fica mais suscetível às especulações climáticas no país. E a expectativa é que essas notícias ganhem mais força nas próximas semanas. Também é preciso acompanhar as condições climáticas nos EUA no mês de julho, já que as lavouras entram em fase de polinização.

Mercado interno

De acordo com o analista de mercado da Safras & Mercado, Paulo Molinari, os preços da saca do cereal recuaram nos Portos brasileiros e também no mercado interno. O cenário é decorrente do nível mais baixo das exportações da safra de verão e também da proximidade da colheita do milho segundo safra. 

Por enquanto, a safra se desenvolve de maneira em importantes regiões produtoras do país, exceto alguns problemas pontuais. A expectativa é que produção brasileira totalize, entre primeira e segunda safra, mais de 75 milhões de toneladas, conforme projeção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). 

“A princípio, esse movimento de recuo nos preços é normal e não acredito em altas no curto prazo. Em médio e longo prazo, com a redução na área cultivada na safrinha e as exportações mais aquecidas, podemos ter uma situação diferenciada. A tendência é que haja uma queda de braço entre a demanda externa e interna, situação que deve resultar em melhores oportunidades de negociação aos produtores brasileiros”, acredita a analista.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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