EUA tem excesso de chuvas no Meio-Oeste e soja avança em Chicago

Publicado em 23/06/2014 07:29 3841 exibições

Nesta segunda-feira (23), todo o complexo da soja inicia a semana operando com boas altas na Bolsa de Chicago. Os futuros da oleaginosa, por volta das 7h15 (horário de Brasília), registravam ganhos de dois dígitos que variavam de 10,50 a 17,75 pontos e o vencimento julho era cotado a US$ 14,33 por bushel. Já o contrato mais negociado nesse momento, agosto/14, valia US$ 13,76. 

Segundo informações da agência internacional Bloomberg, o mercado já observa a possibilidade de que lavouras do Meio-Oeste americano, tanto de soja quanto de milho, sejam prejudicadas pelo excesso de chuvas que vem sendo registrado em algumas regiões. 

De acordo com o instituto meteorológico T-Storm Weather LLC, que fica em Chicago, algumas áreas de Iowa, Minnesota, Dakota do Sul e Nebraska receberam mais de 300 mm de cbuvas nesse mês e compromete o desenvolvimento da raíz das plantas em cerca de 11% da área de produção dos Estados Unidos. 

Já segundo a agência weatherBELL Analytics LLC, chuvas mais pesadas mais a noroeste do estado de Iowa, um dos mais importantes na produção de soja, devem provocar problemas de inundação de alguns campos em áreas que vinham sofrendo com alguma situação de seca. 

Para alguns analistas, o forte avanço do grão nesta segunda-feira, está atrelado também às boas altas registradas pelos futuros do óleo de soja, além do suporte que ainda têm nos fundamentos de oferta e demanda. 

Hoje, o mercado ainda conta com dois novos boletins do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O primeiro deles sai a tarde e traz a atualização dos números dos embarques de grãos dos Estados Unidos, já às 17h, após o fechamento do mercado, o departamento reporta seu novo boletim de acompanhamento de safras, atualizando suas informações sobre as condições das lavouras do país. 

Veja como fechou o mercado na última sexta-feira:

CBOT: Soja tem semana de forte volatilidade e fecha em campo misto

Nesta sexta-feira (20), mais uma vez, o mercado internacional da soja operou com intensa volatilidade e, depois de registrar intensas baixas durante o pregão regular, fechou os negócios em campo misto na Bolsa de Chicago. Assim, os primeiros vencimentos encerraram o dia recuando entre 5 e 7,50 pontos, enquanto os dois últimos subiram entre 0,50 e 3,75 pontos. O contrato julho terminou o dia cotado a US$ 14,15 por bushel. 

As baixas no curto prazo refletiram mais um movimento de correção técnica, com os fundos de investimento aproveitando para realizar lucros ao liquidarem parte de suas posições, principalmente no vencimento julho/14. 

Esses movimentos acontecem mesmo diante de fundamentos que seguem inalterados e ainda muito positivos. Porém, com o pouco tempo de vigência das primeiras posições, o mercado acaba perdendo força para consolidar novas altas e acaba recuando novamente. 

"O mercado chegou a romper a barreira dos US$ 14 nessa semana, voltou, tem esboçado uma reação, mas não tem força para voltar a alguns patamares bem positivos que tivemos nas últimas semanas", explicou o analista de mercado Bruno Nascimento, da NewAgro Commodities.

Nova safra se desenvolve bem nos EUA

A nova safra de grãos dos Estados Unidos vem contando com condições climáticas muito próximas da perfeição, como descrevem alguns analistas de mercado. As chuvas têm sido em bons volumes e bem distribuídas e a temperatura adequada para as lavouras. 

De acordo com os últimos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), até o último domingo, cerca de 92% da área norte-americana já havia sido plantada e 75% das plantações foram classificadas como boas ou excelentes. Os números estão acima dos registrados no mesmo ano passado e refletem esse quadro climático favorável que vem sendo sentido pelos produtores americanos. Na próxima segunda-feira (23), o departamento atualiza esses números e projeções do mercado sinalizam que a semeadura pode chegar a mais de 95%. 

Uma pesquisa divulgada por agências internacionais nesta sexta-feira mostrou que o mercado aposta em uma expansão com a área de plantio de soja na safra 2014/15 dos Estados Unidos. 

O analista internacional Dale Durchholz, da AgriVisor LLC, localizada em Illinois, Meio-Oeste americano, afirma que a área com o cultivo da oleaginosa pode chegar ao recorde de 33,59 milhões de hectares. No último boletim do USDA, o estimado pelo departamento foram 32,98 milhões e um novo reporte deverá ser divulgado no próximo dia 30, o qual é esperado com ansiedade pelos participantes do mercado.

Um estudo trimestral do NOAA (Administração Oceânica e Atmosféria Nacional) - o instituto oficial de clima dos Estados Unidos - mostrou que o clima para o Meio-Oeste do país, principal região produtora de grãos, deverá se manter em condições ideais e muito favoráveis ao desenvolvimento da safra. 

Algumas áreas do Corn Belt e das Grandes Planícies, onde o cultivo do trigo também é bem expressivo, poderão registrar algumas chuvas ligeiramente abaixo da média e temperaturas um tanto elevadas. Porém, nada que possa mudar, nesse momento, as expectativas de uma safra de mais de 98 milhões de toneladas para os EUA. 

Nesta sexta-feira, algumas especulações sobre o comportamento do clima chegaram ao mercado, no entanto, parecem não ter se sustentado. Nos últimos 10 dias, estados como Nebraska, Iowa, Dakota do Sul e Minnesota receberam mais de 250 mm de chuvas. Essas precipitações, segundo informações da Bloomberg, encharcaram o solo de algumas regiões e poderiam comprometer a produtividade tanto do soja quanto do milho. 

No entanto, ainda segundo analistas ouvidos pela agência internacional, essas chuvas podem mais ajudar do que atrapalhar nesse momento, contribuindo para fases importantes que vêm a seguir como a florada e, principalmente, o enchimento de grãos. 
 
Semana de volatilidade

A próxima semana deverá ser de intensa volatilidade para o mercado internacional da soja, segundo explicou Andrea Sousa, da Labhoro Corretora. De acordo com a analista, os negócios ainda serão bastante influenciados pelos números que o USDA traz na próxima semana - condições de lavouras, embarques e vendas para exportação - além do novo boletim de estoques e área que será divulgado no dia 30. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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