CBOT: Soja opera com volatilidade, mas mantém ganhos no curto prazo

Publicado em 22/07/2014 12:37 1567 exibições

Nesta terça-feira (22), o mercado da soja opera com volatilidade na Bolsa de Chicago. Os primeiros vencimentos trabalham com boas altas, principalmente o agosto/14 que, desde a manhã de hoje, já registra ganhos de mais de 10 pontos, enquanto as posições mais distantes lutam para se manter em campo positivo, porém, com ganhos bem mais modestos. 

Novas notícias sobre a demanda pelos produtos norte-americanos dão suporte às cotações e favorecem as altas no curto prazo. Hoje, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou novas vendas de farelo e óleo de soja da safra 2014/15 e a informação foi bem recebida pelo mercado.

O orgão reportou a venda de 225 mil toneladas de farelo e 20 mil toneladas de óleo da safra nova para destinos desconhecidos e mais 180 mil toneladas de farelo para o Vietnã. 

"Há uma somatória dessa demanda com preços de oportunidade para a compra de farelo, de soja em grão e até mesmo de óleo, de que há muito não se via uma exportação tão robusta quanto o de hoje, de 20 mil toneladas", afirma o analista de mercado Mário Mariano, da Novo Rumo Corretora.

Paralelamente, há ainda uma tentativa de consolidar um movimento de correção técnica no mercado depois das excessivas e consecutivas baixas das últimas sessões. Os preços da soja perderam importantes patamares em Chicago, porém, a situação de baixos estoques, pouco volume de produto disponível e demanda aquecida continua nos Estados Unidos. Ontem, a China adquiriu mais 120 mil toneladas de soja em grão da safra 2013/14 e os embarques norte-americanos já se aproximam da última estimativa do USDA para todo o ano comercial - 44,09 milhões de toneladas, que só se encerra em 31 de agosto. 

"Essa excessiva queda mostrou a que os gráficos ainda estão dando suporte para os preços no vencimento agosto - de US$ 11,60 por bushel -, assim como o novembro de US$ 10,60, e também para a safra brasileira, no mês de março, de US$ 10,80, o que significa dizer que o técnico e os fundamentos estão caminhando juntos e, provavelmente, pode dar o apoio de novas compras", explica Mariano. 

Chuvas nos EUA

O analista afirma ainda que algumas regiões do Meio-Oeste americano, principal região produtora de grãos dos Estados Unidos, necessitam de algumas chuvas de manutenção nos próximos dias e as especulações sobre as condições climáticas acabam dando também algum suporte às cotações. 

No entanto, para os próximos cinco dias já há previsões de novas chuvas, sendo algumas para esta terça-feira, quinta (24) e sexta-feira (25). "O volume ainda não é muito significativo, mas é o suficiente para dizer que existe alguma manutenção. Mas, esta não é uma situação generalizada, pode ser que ao longo do dia tenhamos mais boletins trazendo mais conforto ou desconforto para o período de 15 dias (...) e o mercado te que se ajustar", diz o analista. 

Movimentos técnicos

As expectativas de uma grande safra de soja nos Estados Unidos, segundo o USDA de mais de 103 milhões de toneladas, mantêm, entretanto, a tendência de um mercado mais pressionado ainda. E, ainda de acordo com Mariano, essas projeções não se limitam só aos EUA, mas também a outros países produtores, como o Brasil, por exemplo, que pode chegar a colher na safra nova 91 milhões de toneladas, segundo a última previsão do departamento americano. 

"Portanto, esses números que estão sendo indicados pelos gráficos são números que podem definir uma estratégia de curto prazo para o especulador ou produtor, para que ele possa tomar um fôlego e perceber que o mercado está indo agora por um outro caminho, onde a produção está sendo abundante e a demanda vai começar a trabalhar depois que a safra estiver presente", diz.

Dessa forma, o mercado deverá se manter volátil nos próximos dias, voltando a registrar sessões como esta de hoje, com uma correção positiva na casa dos 10 pontos e, ao mesmo tempo, apresentando uma oscilação negativa."No curto prazo, uma pequena correção pontual, e o fundamentos trabalhando contra os preços nos próximos 10 dias, isso caso o clima, em um período úmido que estamos observando, venha ser revertido", finaliza Mariano. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

3 comentários

  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    Os norte-americanos tem uma expressão : rains makes grains (chuva faz grãos), porém nunca pode ultrapassar o potencial de produtividade da planta, somente no papel !!!

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  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    Se clima aumenta tanto a produtividade, devemos abdicar da tecnologia aplicada nas lavouras e, de repente não precisaremos nem plantar para colher uma grande safra. Ou não ? - A pressão psicológica tem uma unica direção :inviabilizar a agricultura brasileira - não irão conseguir !!! - Nunca as condições das lavouras reportadas todas as semanas pelo USDA, tiveram qualquer representatividade no rendimento final das lavouras norte-americanas.

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  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    Se clima aumenta tanto a produtividade, devemos abdicar da tecnologia aplicada nas lavouras e, de repetente não precisaremos nem plantar para colher uma grande safra. Ou não ? - A pressão psicológica tem uma unica direção :inviabilizar a agricultura - não irão conseguir !!!

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