Soja sobe em Chicago com alta forte do farelo, mas dólar pesa sobre preços no BR nesta 4ª

Publicado em 08/12/2021 18:00 1238 exibições

Logotipo Notícias Agrícolas

Os preços da soja fecharam o pregão desta quarta-feira (9) com altas de mais de 10 pontos na Bolsa de Chicago, depois de uma sessão volátil e do mercado testar, ao longo dos negócios, o lado negativo da tabela. Assim, o contrato janeiro encerrou o dia com US$ 12,61 e o maio a US$ 12,76 por bushel. 

O mercado do grão acompanhou as altas de mais de 2% entre os futuros do farelo, que levaram a primeira posição aos US$ 357,20 por tonelada curta diante das preocupações ainda com as condições adversas de clima na Argentina podendo comprometer a oferta do grão e do derivado no país, que é o maior exportador mundial do produto. 

"O La Nia possui 91% de chance de ocorrência ao longo de janeiro, principal período de formação de vagens e enchimento de grãos das lavouras argentinas", afirma o risk manager da HedgePoint Global Markets, Victor Martins.

ALém da preocupação com o clima sul-americano, a decisão recente do presidente americano Joe Biden de reduzir os mandatórios de biocombustíveis - o que pressionou severamente o óleo de soja em quase 3% na CBOT - trouxe ainda mais suporte ao farelo frente à possibilidade de um menor esmagamento nos EUA e, consequentemente, de um volume menor de farelo chegando ao mercado. 

"O reflexo disso foi unânime na CBOT, quando o mercado equilibrou o oilshare - que é o rendimento do óleo de soja no esmagamento - precificando novamente o farelo como o componente de maior rendimento econômico e produtivo no esmagamento de soja", afirma Martins.

Assim, o mercado segue de olho no quadro de clima para a Argentina e o Sul do Brasil ainda como suporte importante para as cotações do grão e derivados de soja na CBOT, mas também atento à melhora esperada para depois do dia 12 de dezembro, quando os mapas sinalizam chuvas melhores para estas regiões a partir desta data.

No Brasil, apesar da preocupação com as lavouras de soja do sul do país, em especial no Rio Grande do Sul, os campos do Centro-Oeste apresenta boas condições e vigor de vegetação acima da média, como explicou Felippe Reis, analista de culturas da Geosys Brasil. 

O mercado também se prepara para a chegada do novo boletim mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) que chega nesta quinta-feira, 9, bem como acompanha os anúncios diários de vendas de soja feitos pelo USDA nesta semana. 

O novo - e último de 2021 - boletim mensal de oferta e demanda do(Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) será divulgado nesta quinta-feira (9), às 14h (horário de Brassília), e poucas mudanças são esperadas pelos analistas e consultores de mercado. O boletim deste mês é tipicamente mais morno, porém, vindo do USDA pode sempre trazer alguma surpresa. 

"Os traders deverão estar ainda mais atentos às estimativas para as safras da América do Sul", disse o analista líder do portal DTN Progressive Farmer, Todd Hultman. 

Veja as expectativas completas:

MERCADO NO BRASIL

O dólar voltou a cair expressivamente nesta quarta-feira frente ao real, fechando o dia com 1,49% de queda e cotado a R$ 5,54. Assim, as altas em Chicago acabaram, pelo menos em parte, sendo neutralizadas para a formação dos preços da soja no Brasil. 

No interior do país, as referências no mercado disponível perderam até 2,45%, como foi o caso de Castro, no Paraná, onde o preço da saca terminou o dia com R$ 159,00. Em Maracaju, no Mato Grosso do Sul, a perda foi de 2,53%, para R$ 154,00. 

Os indicativos cederam também nos portos. Em Rio Grande, a soja disponível fechou o dia com R$ 167,00 e a safra nova em R$ 161,00 por saca, com perdas de 1,18% e 0,62%. Já em Paranaguá, R$ 168,00 e R$ 163,00, perdendo 1,18% e 0,61%, respectivamente. 

Por outro lado, os prêmios ofertados para a soja brasileira continuam positivos e servindo como mais uma base importante para as referências no mercado brasileiro. Os preços são bem remuneradores aos produtores, porém, os negócios já se mostram um pouco mais escassos agora. 

Tags:
Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

Ao continuar com o cadastro, você concorda com nosso Termo de Privacidade e Consentimento e a Política de Privacidade.

0 comentário