Produção de cana não acompanha aumento da frota de carros, diz Unica

Publicado em 25/05/2011 14:15 353 exibições
Presidente da entidade afirma que o cultivo desacelerou com a crise financeira mundial.
O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Sawaya Jank, afirmou que é necessário aumentar a produção de cana-de-açúcar no Brasil para acompanhar o crescimento da frota de carros flex. Segundo ele, a produção de cana, que vinha crescendo a uma taxa de 10,4% ao ano desde 2002, desacelerou a partir de 2008, com a crise financeira mundial. Neste momento, a produção cresce a 3,3% ao ano.

– A desaceleração atingiu as indústrias. Em vez da construção de novas usinas, houve a compra de unidades em dificuldade. Usinas mudaram de mãos, mas não houve o plantio de novas canas. Temos que fazer a indústria voltar a crescer – disse o presidente da Unica, em audiência pública na Câmara.

Segundo Jank, existe um déficit de 150 novas usinas até 2020, o que demandaria o investimento de R$ 80 bilhões. No entanto, essas novas usinas não aparecem por causa do aumento do custo de produção da cana, que hoje é de R$ 54 a tonelada no Estado de São Paulo, contra R$ 39 em 2005. Ele também criticou a baixa competitividade do preço do álcool em relação ao valor da gasolina.

– Quando o preço ultrapassa 70% do preço da gasolina, o consumidor rapidamente migra para a gasolina. O preço da gasolina é o nosso teto. Mas, aqui no Brasil, a gasolina não varia de preço. Dá a impressão que o problema está no etanol, mas a gasolina não varia conforme os preços internacionais do petróleo – afirma.

O diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP) Allan Kardec Duailibe reconheceu a disparidade entre a demanda por etanol e a produção de cana no país. Os canaviais, disse, não acompanham o crescimento da indústria automobilística. Ele ressaltou, no entanto, que quem decide a demanda no Brasil é o consumidor e que os postos são livres para vender os combustíveis que bem entenderem.

A audiência sobre a regulação do etanol foi promovida pela Comissão de Minas e Energia. O evento ocorreu na Câmara dos Deputados nesta quarta, dia 25.

Fonte:
Agência Câmara

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