Frio intenso e alerta de geadas a partir de quarta-feira (13) no RS, SC, PR, SP e parte do MS

Publicado em 11/06/2018 13:44 e atualizado em 12/06/2018 17:34
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Frente fria provoca chuva e vento forte no Sul do país, porém, antes de chegar ao Sudeste, avança para o oceano
Morgana Almeida - Chefe do Centro de Análise e Previsão do Tempo do Inmet

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Por José Roberto Gomes

SÃO PAULO (Reuters) - O alerta de geadas no Paraná, segundo maior produtor de grãos do Brasil, voltou a ser emitido para esta semana, mas a tendência é de que o fenômeno seja de fraca intensidade e não prejudique as lavouras de milho, em fase inicial de colheita, ou as de trigo, cujo plantio está agora bem adiantado.

O Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) aponta para o risco de geadas fracas na porção sul do Estado a partir de quinta-feira. No dia seguinte, "o frio continua mais intenso entre o sul da região oeste, no sudoeste, na região central, no sul e no sudeste", onde as condições também são favoráveis ao fenômeno, acrescentou.

O analista de milho do Departamento de Economia Rural (Deral), Edmar Gervásio, contudo, pondera que eventuais geadas no sul paranaense atingiriam uma região que não responde pelo grosso da produção --as lavouras se concentram no oeste e norte do Estado.

Além disso, no sul do Paraná "a maior parte (do milho) já está em maturação e colheita, então não tem tanto risco", explicou.

O Paraná é o segundo maior produtor de milho do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso, e deve produzir menos de 10 milhões de toneladas na segunda safra deste ano após uma seca entre abril e maio, segundo já alertou o próprio Deral.

Até o momento, a colheita da chamada "safrinha" atinge apenas 1 por cento da área, com quase metada das plantações em condição regular.

"As chuvas agora têm sido favoráveis. Hoje, se a gente pensar, a questão hídrica está resolvida. O milho não precisaria mais de chuva para se desenvolver. O que precisa agora é de condições climáticas mais estáveis, que ajudem no desenvolvimento, na formação do grão, o que se reflete em produtividade", disse Gervásio.

TRIGO

O Deral informou que o plantio de trigo no Paraná, o maior produtor nacional, avançou para 83 por cento do total previsto, revertendo um forte atraso inicial para estar, atualmente, no ritmo mais adiantado em 10 anos.

Em seu mais recente levantamento, o Deral estimou uma produção de 3,30 milhões de toneladas de trigo neste ano, com um plantio de 1,04 milhão de hectares.

"O produtor deu uma arracanda após as chuvas na metade do mês passado e compensou o atraso", disse Carlos Hugo Godinho, analista do Deral, descartando uma colheita antecipada, mas "concentrada".

Atualmente, quase todo o trigo no Paraná apresenta boa condição e está em desenvolvimento vegetativo, quando "é bem resistente a temperaturas mais frias", disse Godinho, referindo-se às geadas.

Pelos dados do Thomson Reuters Agriculture Weather Dashboard, o Paraná deve observar temperaturas mínimas próximas a 5 graus Celsius entre quinta-feira e sábado. Depois, voltarão a subir.

Em maio, o Estado também enfrentou episódios de geadas, sem danos relevantes.

Frio intenso e alerta de geadas a partir de quarta-feira (13) no RS, SC, PR, SP e parte do MS

Morgana Almeida, chefe do Centro de Análise e Previsão do Tempo do Inmet, destaca nesta segunda-feira (11) que a semana deve ser de frio para a região Sul do país, além de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.

As temperaturas na região Sul voltam a cair a partir de amanhã. Mais para o final de semana, esse frio tende a chegar em Mato Grosso do Sul e São Paulo e, posteriormente, em Minas Gerais.

Neste momento, as instabilidades são mais significativas no Sul do país. Na quarta-feira essas instabilidades avançam para o leste e o norte do Paraná, bem como partes do estado de São Paulo.

As condições de geada estão restritas à região Sul do país e devem se intensificar a partir de quinta, sexta e sábado. Contudo, este ponto ainda deve se atualizar ao longo da semana.

A condição de frio permanece de 11 a 19 de junho e deve se prolongar do dia 19 ao dia 27. Contudo, o frio não avança além da região Sul e parte do Sudeste.

Granizo gigante cai sobre cidade do Rio Grande do Sul

A população de várias cidades do Rio Grande do Sul avalia os graves danos causados pelas tempestades do dia 11 de junho. Além da chuva intensa, vários locais registraram ventania, com rajadas de vento superiores aos 100 km/h. Vídeos que já circulam pelas redes sociais evidenciam a ocorrência de tornados.

A destruição na região de Tapejara, na região do Planalto do Rio Grande do Sul, inclui dezenas de árvores quebradas, galpões destelhados e caminhões tombados.

São José dos Ausentes, na serra gaúcha, passou quase todo dia 11 de junho de 2018 sendo açoitada por rajadas de vento entre 80 km/h e quase 110 km/h. Pela medição do Instituto Nacional de Meteorologia, entre 17 horas e 22 horas ocorreram sucessivas rajadas de vento com mais de 100 km/h. A mais intensa chegou aos 109 km/h, às 22 horas. Entre 3 e 4 horas da madrugada desta terça-feira, 12, foi observada outra rajada de vento com 108 km/h.

Porto Xavier, na margem do rio Uruguai, na fronteira com a Argentina, registrou granizo gigante, com o tamanho de uma laranja. As fotos abaixo são de Leticia Bratz Kohl que comentou com a Climatempo: “Foram uns 5 minutos dessa chuva (de granizo)”.

Em Porto Alegre, o Instituto Nacional de Meteorologia registrou 36,4 mm acumulados entre 9 horas do dia 11 e 9 horas de 12 de junho. O total de chuva em junho, em 12 dias, subiu para 80,2 mm, quase 70% da média normal de chuva para junho que é de aproximadamente 119 mm. O aeroporto Salgado Filho registrou uma rajada de vento com 70 km/h no fim da tarde do dia 11 de junho.

A capital gaúcha teve quase 24 horas de chuva, sem que começou a dar sinais de trégua no fim da manhã desta terça-feira.

Risco de ventania não acabou

Outra acentuada queda de pressão atmosférica ocorre nesta terça-feira, 12, entre o litoral do Rio Grande do Sul e o litoral da província de Buenos Aires que dará origem a um ciclone extratropical.

Durante grande parte da quarta-feira, 13 de junho, este ciclone extratropical ficará próximo ao litoral gaúcho causando ventos intensos no sul e no leste do estado. Olitoral gaúcho, o litoral de Santa Catarina, a região serrana do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina podem ter rajadas da ordem de 100 km/h. A região da Grande Porto Alegre poderá ter rajadas com até 70 km/h.

O ciclone extratropical se afasta em alto-mar na quinta-feira, 14, e o vento enfraquece rapidamente.

Frio intenso depois dos temporais

As nuvens muito carregadas que passaram sobre o Rio Grande do Sul foram geradas por uma situação de pressão atmosférica muito baixa (abaixo de 1000 hPa, em alguns locais) que predominou no dia 11 de junho e também pela chegada de uma nova frente fria, com  forte intensidade.

As imagens captadas pelo satélite GOES 16 no fim da manhã desta terça-feira mostravam que as nuvens carregada já tinham saído do Rio Grande do Sul, mas ainda se espalhavam sobre Santa Catarina e Paraná. Estes dois estados ainda podem ter tempestades até a noite desta terça-feira.

Imagem do satélite da climatempo

Mas para esta quarta-feira, 13 de junho, a previsão é que o ar polar intenso que vem com a frente fria entre no Sul do Brasil. Isto vai dissipar quase toda a nebulosidade sobre a Região e também esfriar muito o ar. A sensação de frio será grande e vai aumentar cada vez mais até a noite da quarta-feira.

Leia também:

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Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas / Climatempo

1 comentário

  • Paulo Lourenço São Leopoldo - RS

    Sabemos que contra a natureza não tem com antecipar socorro. A natureza nos surpreende.

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    • DOMÊNICO ANTONIO PERTILEHORIZONTINA - RS

      Sr. A natureza é regida por um SUPERIOR que está chamando atenção do povo, analise a lógica do que aconteceu no Rio Grande, e fora o resto que está por vir?

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