Convocações deixam claro que PT e PMDB não querem investigar a Delta; CPI caminha para patuscada petista

Publicado em 14/06/2012 17:56 e atualizado em 22/08/2013 15:26 706 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

A sessão administrativa de hoje da CPI do Cachoeira confirma aspiores suspeitas levantadas ontem por este escriba. A maioria governista da comissão, sob a liderança do PT, está determinada a fulminar o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e a punir Carlinhos Cachoeira e um ou outro amigo seu e pronto! O centro do escândalo, a construtora Delta, vai ficando para as calendas.

Nos posts abaixo, há as principais notícias do dia sobre a comissão. Convocar a mulher de Cachoeira? Pra quê? A ação é puramente midiática. Pode render algumas emoções baratas — sobretudo os baixos instintos de quem quer ver a bela padecer entre as feras — e nada além disso. Não parece que ela seja exatamente uma peça importante no esquema. Um ou outro escorregão sobre a intimidade do casal e amigos pode render bons momentos de fofoca e nada mais. Vamos pensar um pouquinho: entre convocar Fernando Canvendish, chefão da Delta — com contratos bilionários com o governo federal —, e Andressa, qual deveria ser a prioridade para quem quer, de fato, investigar o escândalo?

Segundo o PT, a prioridade é Andressa! O dono da empresa que o próprio governo federal considera inidônea — a quem o BNDES emprestou dinheiro a juros subsidiados, que montou um verdadeiro laranjal, com suas respectivas empresas fantasmas, e que participou ativamente do financiamento de campanha — não desperta a curiosidade dos patriotas. Afinal, investigar a Delta seria levar a CPI a sério, e o que se tem lá é uma patuscada — excluo, reitero, da consideração os parlamentares sérios que lá estão — de natureza partidária.

Esqueçam: desse mato, pode sair no máximo coelho. Os corruptores e corrompidos ficarão fazendo o de sempre atrás da moita.

Por Reinaldo Azevedo

 

14/06/2012 às 16:08

CPI aprova convocação de mulher de Cachoeira

Em votação simbólica, a CPI do Cachoeira aprovou nesta quinta-feira a convocação da mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça. Na mesma sessão plenária, os parlamentares ainda deram aval para a quebra de sigilo de empresas que, ligadas ao bando do bicheiro, podem esclarecer a real origem do dinheiro utilizado na compra da mansão do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Após ter evitado as convocações do ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, e do ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish, a CPI autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da Excitant Confecções, cuja dona é a cunhada do contraventor Carlinhos Cachoeira. A empresa é a titular dos três cheques no valor total de 1 400 000 reais recebidos por Marconi Perillo na venda de uma mansão sua em Goiânia.

No bojo do episódio sobre a venda da casa do governador goiano, a Comissão Parlamentar de Inquérito também aprovou o fim da confidencialidade de informações da Faculdade Padrão e da Mestra. A mansão que foi de Marconi Perillo foi registrada em nome da Mestra, apesar de o dinheiro utilizado na aquisição da casa não ter saído dos caixas da empresa.

Convocações 
Além de Andressa Mendonça, foram aprovadas, entre outras, as convocações do ex-assessor de Perillo, Lúcio Fiúza, que acompanhou a venda da casa do governador, e do radialista Luiz Carlos Bordoni, que recebeu 33 000 reais para trabalhar na campanha de Perillo, mas que denuncia ter recebido outros 45 000 reais na conta de sua filha, Bruna Bordoni. O suposto caixa-dois foi repassado, na versão do radialista, pela empresa fantasma Alberto&Pantoja.

Geraldo Brindeiro 
A CPI aprovou, por fim, pedido de informações ao ex-procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro. As investigações da Polícia Federal dão conta de que o contador de Cachoeira, Geovani Pereira da Silva, repassou recursos para o escritório de advocacia Morais, Castilho e Brindeiro, que tem o ex-chefe do Ministério Público como um dos sócios.

Por Reinaldo Azevedo

 

14/06/2012 às 15:57

CPI aprova quebra de sigilos dos governadores de GO e DF

Por Ricaro Brito, no Estadão Online:
A CPI do Cachoeira aprovou nesta quinta-feira, 14, a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico, de mensagens de celular e de e-mail dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). A decisão ocorre um dia após Agnelo ter colocado, durante seu depoimento na CPI, seu sigilo à disposição da comissão, o que levou a Perillo a tomar a mesma iniciativa.

Em votações unânimes, os integrantes da CPI decidiram abrir os sigilos dos dois governadores desde 1º de janeiro de 2002 até o presente momento. Inicialmente, a intenção era que o sigilo fosse quebrado apenas pelos últimos cinco anos. “Eu aceito um aditamento do meu requerimento para que seja de 10 anos”, afirmou o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), autor de um dos dois requerimentos referentes a Perillo.

Dilma na CPI
A sessão desta quinta da CPI, ainda em andamento, teve início turbulento nesta manhã. Quatro deputados do PSDB, Carlos Sampaio (SP), Vanderlei Macris (SP), Domingos Sávio (MG) e Fernando Francischini (PR), apresentaram na noite dessa quarta, 13, requerimento para convocar a presidente Dilma Rousseff para depor como testemunha na CPI do Cachoeira.

Na justificativa, os tucanos argumentam que a Delta Construções, envolvida nas investigações da Operação Monte Carlo, que prendeu o contraventor Carlinhos Cachoeira, doou R$ 1 milhão para a campanha da presidente da República. A empresa JBS, que pretendia comprar a empreiteira, também repassou outros R$ 12 milhões para a então candidata presidencial.

“Fica claro, portanto, que as doações de campanha escondem interesses escusos”, afirmou os deputados do PSDB, que também querem convocar o ex-tesoureiro da campanha, o deputado federal José de Fillippi.

Membros da oposição reagiram à proposta e afirmam que o requerimento é despropositado. Houve bate-boca e o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) rejeitou o pedido por ser tratar de um “atentado à Constituição”. Os parlamentares votarão ainda nesta sessão a convocação do ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) Luiz Antonio Pagot, e Fernando Cavendish, ex-presidente da Delta.

Por Reinaldo Azevedo

 

14/06/2012 às 15:47

PT blinda Pagot e Cavendish e CPI adia convocações

Por Laryssa Borges, na VEJA Online:
Em votação apertada - 16 votos a 13 -, a CPI do Cachoeira decidiu nesta quinta-feira adiar novamente a convocação do empresário Fernando Cavendish, ex-presidente da construtora Delta, empresa que está no centro das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso Nacional. Por um placar um pouco mais folgado - 17 votos a 13 -, os parlametares evitaram também a convocação do ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot. O PT votou em bloco em favor do adiamento das duas convocações.

Cavendish é o autor, em trecho captado pelos grampos da Polícia Federal, da frase: “Se colocar 30 milhões de reais na mão de político, ganha negócio”. Amigo pessoal do governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB), o empresário deixou o comando da Delta assim que estourou a informação de que a empreiteira atuava em parceria com o esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira para a obter benefícios irregularmente.

O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), foi o primeiro a defender, durante a sessão, que a convocação de Cavendish não fosse votada de imediato. Segundo ele, ainda não foram analisados documentos suficientes para embasar futuramente a oitiva do empresário. “Estamos discutindo as relações da Delta com a organização criminosa e a quem serviu essa empresa”, disse Cunha. “Precisamos fazer que venham à CPI pessoas cujos vínculos sociais, econômicos, políticos e patrimoniais fiquem evidentes”, completou o relator ao defender o sobrestamento da votação sobre o ex-presidente da Delta.

Pagot
O ex-diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, tem dito que está à disposição da CPI para trazer à tona informações sobre a atuação da Delta e sobre suas relações promíscuas com agentes públicos. Apeado do governo da presidente Dilma Rousseff depois de denúncias de irregularidades na autarquia e no Ministério do Transporte, Pagot afirma que verbas públicas foram utilizadas como caixa dois de campanhas políticas. O ex-chefe do Dnit também afirmar ter havido desvio de recursos da obra do Rodoanel, em São Paulo, para a campanha do tucano José Serra à Presidência da República em 2010 e de Geraldo Alckmin ao governo paulista no mesmo ano.

Assim como fez com Fernando Cavendish, o relator Odair Cunha defendeu que a convocação não fosse aprovada agora porque muitos documentos em poder do colegiado ainda não foram analisados. “Precisamos nos deter às informações que esta CPI tem”, disse. “Entendo que, se Pagot quer prestar alguma informação relevante, terá oportunidade segundo a nossa conveniência”. O relator afirmou ainda que, se Pagot tiver denúncias a serem feitas, deve procurar de imediato a Polícia Federal. “Se alguém quiser declarar alguma coisa ou denunciar algum crime e tiver urgência, deve procurar a Polícia Federal”.

Para o senador Pedro Taques (PDT-MT), a decisão de não aprovar a convocação imediata do ex-diretor-geral do Dnit reflete o “medo” que os parlamentares têm das revelações que ele pode fazer. “Não podemos transformar essa CPI em uma enrolação, em uma CPI café com leite”, protestou. “Pagot é um fio desencapado. Ele está desesperado para falar e precisa falar”.

A briga entre PT e PSDB sobre as revelações de potencial destrutivo de Pagot motivou parlamentares dos dois partidos a apresentassem à CPI requerimentos para a oitiva de Serra, hoje candidato tucano à prefeitura de São Paulo, e da presidente Dilma Rousseff.

O pedido de convocação da chefe do Executivo foi duramente criticado na CPI nesta quinta-feira, ainda que o PSDB tenha depois transformado a iniciativa em um requerimento de informações à presidente. Por considerar o pedido inconstitucional, o presidente do colegiado, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), rejeitou sumariamente o pleito tucano. “Tenho a prerrogativa de rejeitar liminarmente o requerimento por ser um atentado à Constituição Federal”, disse.

Matriz
A CPI do Cachoeira já aprovou a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico da matriz da construtora. Os advogados da empresa tentaram, sem sucesso, barrar no Supremo Tribunal Federal (STF) a devassa.

Conforme o delegado Matheus Mela Rodrigues, da Polícia Federal, a Delta teria se beneficiado em contratos por ter dirigentes diretamente ligados a Cachoeira. Em sessão reservada à comissão de inquérito, o policial disse ter informações de que a Delta transferiu 39 milhões de reais para as empresas JR, Brava e Alberto&Pantoja, utilizadas pelo bicheiro para lavagem de dinheiro e evasão de divisas a paraísos fiscais.

A Alberto&Pantoja, por exemplo, foi responsável por transferências à empresa Excitant, cuja dona é a cunhada de Cachoeira. A Excitant é a titular dos três cheques no valor total de 1,4 milhão de reais recebidos pelo governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), na venda de uma mansão em Goiânia.

VEJA revelou que o acesso às contas da Delta coloca a CPI no caminho de comprovar que mais de 100 milhões de reais em dinheiro clandestino abasteceu campanhas políticas e pagou propinas a servidores públicos. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de inteligência do Ministério da Fazenda, registrou em relatório que a Delta aparece relacionada com movimentações atípicas entre 2006 e o ano passado.

Antes do início da sessão desta quinta-feira, a CPI do Cachoeira havia votado 328 requerimentos e aprovado 57 quebras de sigilo, 18 convocações e três convites para autoridades comparecerem ao colegiado.

Por Reinaldo Azevedo

 

Promotores de SP escarnecem da população que lhes paga o salário. E Marilena Chaui, a pensadora dos mensaleiros, volta a dar rasantes com sua vassoura filosófica. Ou: Eles querem é que a Cracolância seja considerada uma USP e que a USP vire uma Cracolândia!

Já deveria ter escrito a respeito, mas, como sabem, a agenda anda um tanto carregada. Quatro promotores do Ministério Público de São Paulo, capitaneados por Maurício Ribeiro Lopes, promotor da Habitação, entraram com uma ação civil pública contra o governo do estado cobrando uma indenização de R$ 40 milhões por “danos morais coletivos”. E o que o governo fez de tão grave? A operação na Cracolândia! Segundo o inquérito conduzido por Lopes, ela foi desastrosa e não cumpriu seus objetivos. Os preclaros pedem ainda uma liminar que impeça a Polícia Militar de dispersar os usuários de droga da região.

Desde que a operação começou, e a Secretaria de Justiça tem esses dados documentados, houve a internação voluntária de 660 dependentes. Foram enviadas para abrigos 11 mil pessoas, 121 presos foragidos foram recapturados, e 462 traficantes foram presos. Mas Lopes e seus colegas não estão contentes, não. Acusam agressão aos direitos humanos e dizem que a operação não cumpriu seus objetivos: “Começou de modo desastrado pela sua desarticulação, desenvolveu-se de modo violento e, se chegou ao final, chegou com resultado desastroso”, define o valente.

Sabem o que é pior? Essa gente pretende falar em nome do povo. Segundo pesquisa feita pelo Datafolha, 82% dos paulistanos apoiam a ação do governo e da prefeitura na cracolândia. Nem poderia ser diferente. Aquela era uma região da cidade que estava sitiada. O primeiro passo em casos assim é recuperar o território. Se estivesse no Rio, Lopes iria querer impedir a instalação das UPPs alegando que elas não conseguiram acabar com o tráfico. Eu sou crítico daquele programa, sim, mas por uma razão em particular: por não prender os traficantes.

É evidente que a operação na Cracolândia não fez com que viciados desaparecessem. Não existe com esse objetivo. Então vejamos: a internação compulsória é proibida por lei, e ninguém é preso por portar drogas apenas para consumo. Se a polícia estiver impedida de dispersar os consumidores, que tendem a tomar conta do espaço público e a criar um mundo particular, o resultado é um só: agressão aos direitos da população comum, que trabalha, que estuda, que trabalha e estuda, que gera, em suma, os impostos que pagam os salários de Lopes e de seus amigos.

Lembram-se dele?
Ah, Lopes é um velho conhecido de vocês. É aquele cinquentão que usa um brincão na orelha esquerda, talvez para ficar mais parecido com o filho… É claro que o que lhe dita o pensamento é o que tem entre as orelhas. E não é coisa boa. Fiz referência ao brinco, que lhe confere um ar, assim, de tiozão chacoalhando a pança em balada adolescente, porque me lembrei de São Paulo — no caso, o apóstolo que dá nome à cidade. “Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.” Lopes vive, certamente, a meninice da ideologia. Daria a outra orelha ao furo, estou certo, para invadir a reitoria da USP — já chego à Madame Mim da vassoura…

Mas é possível que vocês não tenham se lembrado do tiozão pelo brinco. Então eu lhes refresco a memória com outra ação detestável desse senhor. Em outubro do ano passado, a prefeitura decidiu transferir um albergue de uma área de Pinheiros (referência para quem não mora em Sampa: é um bairro de classe média, com alguns bolsões de pobreza) para outra mais residencial, na rua Cardeal Arcoverde. Um grupo de moradores resolveu se mobilizar contra a decisão e entregou ao Ministério Público Estadual um abaixo-assinado com 1,2 mil assinaturas. Mal sabiam que estavam caindo numa armadilha! Sabem o que fez Lopes? Não só indeferiu o pedido (até aí, tudo bem!) como associou os manifestantes a “higienistas do Terceiro Reich”. Foi explícito: “É de causar inveja a qualquer higienista social do Terceiro Reich a demonstração de tal insensibilidade”. Suas palavras já eram absurdas e persecutórias o bastante. Mas ele não se deu por satisfeito: encaminhou o nome de seis síndicos que assinaram a petição para a Delegacia de Polícia Especializada em Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

É coisa de fascista! É coisa de comunista da antiga Alemanha Oriental! Um dos direitos fundamentais de qualquer cidadão num estado democrático é encaminhar petições ao estado. Ninguém pode ser molestado por uma autoridade ou punido por isso. Ocorre que o nosso promotor “da habitação” não está nem aí para quem paga impostos. Ele é um justiceiro social — e, como se vê, faz justiça à custa do homem comum. Ao molestar os moradores de Pinheiros, quer impedir o cidadão de ser cidadão; ao tentar impedir a ação na Cracolândia, quer impedir o governo de ser governo.

Agora ela…
Marilena Chaui voltou a dar rasantes na USP com sua vassoura filosófica. Não é estranho que ressurja no noticiário neste momento. Eu a chamo de “a pensadora dos mensaleiros” porque ela foi a autora original — sim, foi ela! — da mentira estúpida de que a denúncia do mensalão foi só uma tentativa de dar um golpe em Lula. Num ato em favor da criação de uma Comissão da Verdade na USP (só para a USP…), a Madame Mim da filosofia ligou o reitor João Grandino Rodas à ditadura, o que é uma tolice, atacou indiretamente o governo do estado — “há uma hegemonia no Estado de São Paulo de um pensamento privatista e neoliberal, a USP está sendo regida por esses princípios por este reitor” — e MENTIU: afirmou que a Reitoria pôs a polícia no campus “para espancar estudantes”. As autoridades tendem a ser frouxas com gente assim. Não deveriam. No lugar do governo e da PM, eu processaria essa senhora para que ela mostrasse onde estão os estudantes espancados. Como pode mentir de forma tão miserável quem está num ato em favor de uma “Comissão da Verdade”?

Exagero ao associá-la a uma bruxa? Não deixa de ser um elogio. Quem recorre a um engodo, a uma farsa — como a história do suposto “golpe” — para tentar livrar a cara de mensaleiros ou minimizar seus crimes merece é epíteto pior. Há muito tempo essa funcionária pública paga para pensar com independência não passa de mero esbirro de um partido político. Atenção! Há 55 universidades federais em greve, boa parte delas funcionando em condições precárias. Em muitas, faltam laboratórios. Em algumas, não há nem esgoto nem água encanada. Mas Madame Mim quer é acabar com o “projeto neoliberal” da USP!!! Os petistas não descansam enquanto não reduzirem São Paulo ao tamanho de sua utopia.

A polícia está na USP, com o apoio da esmagadora maioria dos estudantes, para protegê-los. Esta Górgona do esquerdismo chulé tripudia sobre o corpo do estudante de ciências atuariais Felipe Ramos de Paiva, morto em maio do ano passado no campus, durante um assalto. Felipe era um rapaz de família pobre, morador de Pirituba. Dona Chaui não deve saber onde fica porque o público para o qual prega socialismo se concentra no Alto de Pinheiros, nos Jardins, na Vila Nova Conceição e em Higienópolis. Há mais comunistas nestes metros quadrados entre os mais caros do mundo do que em Pequim ou em Havana.

Felipe tinha origem pobre, sim, mas já havia coseguido um excelente emprego, trabalhava numa empresa de gestão de fundo de investimentos e era considerado pelos colegas um workaholic — talvez um “neoliberal”, diria a Górgona. Felipe, em suma, jamais seria  um deles: afinal, o rapaz era um… TRABALHADOR! Por que a USP deveria dar bola a gente como ele? Tem é de mimar os maconheiros!

Eis aí: no mundo de Lopes, a Cracolândia vira uma academia. No mundo de Marilena, a USP vira uma Cracolândia.

Por Reinaldo Azevedo

 

14/06/2012 às 5:27

Mais confusões de Dilma

Leia editorial do Estadão:

Mais uma vez a presidente Dilma Rousseff se perdeu num emaranhado de ideias confusas e fora de propósito, desta vez ao falar sobre política econômica em seu discurso no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, na terça-feira. Em outras circunstâncias o palavrório seria apenas engraçado. A graça desaparece, no entanto, quando o País se defronta com uma assustadora crise internacional e a chefe de governo discorre sobre os problemas do crescimento com meia dúzia de chavões de comício. Para começar, misturou duas questões muito diferentes - a incorporação de milhões de famílias pobres ao mercado de consumo e o desafio de remover obstáculos à expansão da economia nacional. Detalhe inquietante: a autora dessa confusão tem um diploma de economista.

O equívoco da presidente é óbvio. A indústria brasileira vai mal, perde espaço tanto no País quanto no exterior, e o emprego industrial diminui, como têm mostrado números oficiais. No entanto, o consumo continua maior do que era há um ano e as importações crescem mais que as exportações. É um disparate, portanto, atribuir os problemas da indústria — mais precisamente, do segmento de transformação - a uma retração dos consumidores. A participação de bens importados no mercado brasileiro de consumo atingiu 22%, um recorde, nos quatro trimestres encerrados em março e essa tendência, ao que tudo indica, se mantém.

Se examinassem o assunto com um pouco mais de atenção, a presidente e seus auxiliares talvez mudassem o discurso. Não há como atribuir os problemas da indústria nem a estagnação da economia brasileira à permanência de um “consumo reprimido” — um fato social indiscutível, mas sem relação com os atuais problemas de crescimento.

A presidente acerta quando atribui a quem tem uma melhoria de renda o desejo de comprar uma geladeira, uma televisão, um forno de micro-ondas. Mas é preciso saber de onde sairão esses bens. Não basta dispor de fábricas para produzi-los. A indústria tem de ser capaz de produzi-los com preços e qualidade compatíveis com os padrões internacionais. Recorrer ao protecionismo é apenas uma forma de empurrar o problema para a frente e — pior que isso — de abrir espaço para problemas adicionais, como a elevação de preços e a estagnação da capacidade produtiva. Muitos brasileiros devem ter aprendido essa lição. A presidente parece tê-la esquecido.

Há uma enorme diferença entre barrar a competição desleal e recorrer ao mero protecionismo. Isso vale para geladeiras, televisores e camisas, mas vale também para equipamentos e componentes destinados a programas de investimento conduzidos pelo governo ou por ele favorecidos. Ao defender a exigência de índices mínimos de nacionalização para certas atividades, a presidente insiste numa política perigosa, muito boa para os empresários amigos da corte, mas muito ruim para o País.

Apenas de passagem a presidente Dilma Rousseff mencionou a questão realmente séria — a dos investimentos e da capacidade produtiva. Mas, ao contrário de sua tese, há algo mais, no custo do investimento brasileiro, do que a taxa de juros. Há também uma tributação absurda, ao lado de uma porção de outros fatores de ineficiência.

Um desses fatores, visível principalmente nos investimentos públicos, é a baixa qualidade da gestão governamental. O governo, disse a presidente, continuará a investir — uma declaração um tanto estranha, porque ninguém se opõe à aplicação de recursos públicos em obras de infraestrutura, hospitais, escolas e outras instalações indispensáveis. Ao contrário: cobra-se das autoridades mais empenho na elaboração de bons projetos, na execução das obras e no uso mais eficiente — e mais cuidadoso — do dinheiro público.

Como gerente do Programa de Aceleração do Crescimento ( PAC) e, depois, como chefe de governo, a presidente Dilma Rousseff se mostrou deficiente em todos esses quesitos. A paquidérmica lentidão do PAC é notória e inflar os resultados com os financiamentos habitacionais — como acaba de ser feito — é só uma forma de enfeitar os relatórios. Fora do governo, poucos têm motivo para aplaudir esse programa. Entre esses poucos estão os donos da inidônea construtora Delta.

Por Reinaldo Azevedo

 

14/06/2012 às 5:22

Agnelo foi treinado por Dirceu, Renan e por terapeuta

Por Maria Lima e Junia Gama, no Globo:
O que os aliados mais temiam era que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), gaguejasse e se enrolasse nas explicações à CPI mista do caso Cachoeira. Além da tropa de choque do PT, de aliados do governo e de políticos de Brasília, a surpreendente segurança e desenvoltura demonstradas pelo petista foi construída com a orientação de políticos tarimbados como José Dirceu e o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL). Mas, sobretudo, em sessões de terapia com uma especialista em gerenciar crises e ajudar no controle das emoções: a jornalista-terapeuta goiana Olga Curado. A mesma que treinou a então candidata Dilma Rousseff para a campanha presidencial .

Terapeuta do ex-presidente Lula, do governador Geraldo Alckmin e de outros candidatos, Olga Curado mistura em suas sessões técnicas de Gestalt — onde o paciente é estimulado a gritar e a rolar no chão para liberar emoções e ganhar confiança — com aikidô e budismo. Ao invés de se retrair, Agnelo chegou na ofensiva, respondendo a todas as perguntas. “Toda a preparação que ele fez, o “media training” e a terapia com a Olga Curado, valeu 50% do seu bom desempenho. O resto, ele aprendeu vendo o depoimento do Marconi Perillo. Seu grande receio era não conseguir explicar a compra da casa que vale R$ 5 milhões por R$ 400 mil”, contou um dos líderes aliados que estiveram com Agnelo nos últimos dias.

A decisão de oferecer à CPI a quebra dos sigilos foi acertada em reunião na véspera, com seus advogados e deputados petistas. A estratégia foi se diferenciar de Perillo, que, na véspera, não aceitou abrir seus dados à comissão.

Por Reinaldo Azevedo

 

14/06/2012 às 5:08

Delta manterá seus contratos com governo, afirma Dnit

Por Dimmi Amora, na Folha:
A declaração de inidoneidade da Delta não deverá afetar quase nenhum dos seus cem contratos vigentes no governo federal, pelos quais a tem a receber R$ 1,2 bilhão. Segundo a CGU (Controladoria-Geral da União), que publicou ontem o decreto tornando a empresa inidônea (proibida de contratar com órgãos públicos), a decisão vale por dois anos e, depois disso, ela terá que pedir uma reavaliação. A construtora recorrerá da decisão. Segundo o diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte), Jorge Fraxe, a empreiteira, investigada na CPI da Cachoeira, vai continuar em todos os contratos já assinados para obras e manutenção “enquanto mantiver fazendo o serviço”. O Dnit é o maior contratador da empresa, com 99 dos 100 contratos.

Fraxe disse que retirar a Delta de cada um dos contratos causaria prejuízo ao governo porque seria necessário relicitar obra a obra por preços mais altos. O que ameaça a continuidade da construtora nas obras é o que a própria empresa chama de uma “situação financeira insustentável”, causada pelo “bullying empresarial” criado com a suspeita da relação com o esquema do empresário Carlinhos Cachoeira. A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) afirmou “não ser relevante” a inidoneidade para os atuais contratos com a Delta. Os 99 contratos ativos da Delta no Dnit somam R$ 2,5 bilhões, sendo que apenas oito são para novas obras.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

14/06/2012 às 5:01

Petrobras cobra alta no combustível para manter investimento

Por Valdo Cruz, naFolha:
A geração de caixa da Petrobras está abaixo do previsto e pode afetar o plano de investimento da empresa. O tema foi discutido ontem em reunião do Conselho de Administração, em Brasília, em que foi analisado o plano de investimento de 2012/2016. A estatal reivindica reajuste de combustíveis para recompor seu caixa e, com isso, garantir a manutenção do ritmo de investimentos. O atual plano previa investir US$ 224 bilhões de 2011 a 2015. Segundo a Folha apurou, a equipe econômica prometera analisar a concessão de reajuste nos combustíveis até julho para reduzir a defasagem de preço -calculada por técnicos da empresa em 32%.

Técnicos da equipe econômica disseram ontem à Folha que a queda na inflação abre espaço para correção no preço dos combustíveis. A tendência é que o governo, se aprovar o reajuste, reduza o valor da Cide (contribuição regulatória do preço de combustíveis) para evitar repasses ao consumidor. A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, já havia avisado sua chefe, a presidente Dilma Rousseff, que a estatal estava com sua capacidade de elevar investimentos comprometida por dois motivos: defasagem no preço dos combustíveis e valorização do dólar. A queda no petróleo nas últimas semanas, que reduziria custos da empresa, está sendo quase totalmente anulada pela valorização do dólar. A alta na moeda dos EUA atinge a estatal porque ela tem dívidas no exterior e importa gasolina e diesel para o mercado o interno.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

13/06/2012 às 19:30

Erundina deve ser a vice de Haddad na disputa pela Prefeitura em SP

Por Fernando Gallo e Julia Duailibi, no Estadão Online:
O PSB ofereceu o nome da ex-prefeita e deputada Luiza Erundina como vice na chapa encabeçada pelo pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. Segundo o Estado apurou, o PT acatou o nome da parlamentar para ingressar na campanha do ex-ministro da Educação e faz um esforço para fazer o anúncio na próxima sexta-feira.

Erundina já foi sondada pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, há 13 dias e disse aceitar a missão, desde que houvesse consenso no PT e no PSB. Na expectativa de que ela aceite a indicação, o PT esperava uma conversa final dela com direção do PSB ainda hoje em Brasília. Antes de bater o martelo, o PSB corre para diminuir a resistência da ala paulista do partido à escolha. Isso porque Erundina não é ligada ao grupo do presidente estadual do PSB, Márcio França, que trabalhou por uma aliança com os tucanos.

Campos já havia colocado o nome da deputada nas primeiras conversas que manteve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir a aliança em São Paulo em maço. Ele também sondou a parlamentar sobre a disposição de aceitar o convite durante encontro, no dia 1º de junho, em Recife, quando foi lançada a Comissão da Verdade em Pernambuco.

Na conversa, Erundina disse que só toparia se a indicação fosse por consenso. Ela também pediu sigilo sobre o assunto, pois temia que o nome dela sofresse desgaste, se a indicação vazasse para a imprensa.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

13/06/2012 às 19:26

A reação dos honrados — Relator da CPI do Mensalão relembra no tribunal o que existe contra José Dirceu, o herói do PT

O deputado Osmar Serraglio, do PMDB do Paraná, é uma pessoa de bem. Ignoro qualquer fato que desabone a sua atuação como homem público. O PMDB já havia sido cooptado por Lula em 2005 quando ele se tornou o relator da CPI dos Correios, a tal CPI do Mensalão. Deveria servir de exemplo para Odair Cunha (PT-MG), que chega ao estrelato na CPI do Cachoeira. Serraglio comportou-se com isenção na condução dos trabalhos. Pedir isso a um petista é exagero. Bastaria ser comedido.

Inconformado com o lobby dos mensaleiros, que tentam apagar aqueles fatos da história, ele foi hoje à tribuna da Câmara para expor uma lista de 12 evidências que fazem de José Dirceu protagonista do escândalo. Leiam o que informa Rubens Valente, na Folha Online:

(…)
Serraglio disse estar “farto da alegação de que o mensalão é fantasia”. A gota d’água, segundo ele, foi um artigo assinado pelo produtor de cinema Luiz Carlos Barreto, publicado ontem na Folha”, sob o “Por qué no lo matan?”, que faz a defesa de Dirceu.

“Certamente me amofina essa cantilena repetida de que o ‘mensalão’ fora uma farsa, como se a investigação não se realizou por parlamentares dos mais diversos matizes político-partidários”, discursou o deputado.  ”Ainda agora assistimos José Dirceu concitando os jovens a se manifestarem diante de sua inocência”, discursou o deputado. O deputado listou os seguintes indícios coletados tanto pela CPI quanto pelo processo do mensalão, que poderá ser levado a julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) no segundo semestre deste ano:

1) à época em que Dirceu era ministro, “nada ocorria sem o beneplácito do super-ministro, como era chamado na imprensa e nos corredores do poder”;

2) Roberto Jefferson, líder do PTB, “confessa que tratou por mais de dez vezes do mensalão com Dirceu”;

3) o publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza “afirmou que ouviu de Delúbio [Soares, ex-tesoureiro nacional do PT e da campanha presidencial de Lula em 2010], que Dirceu deu ‘aval’ aos empréstimos bancários que alimentaram o mensalão;

4) a mulher de Valério “assentou que Dirceu se reuniu com o presidente do Banco Rural no Hotel Ouro Minas para acertar os empréstimos do banco”;

5) Valério “arrumou emprego para a ex-mulher de Dirceu no [banco] BMG em São Paulo”;

6) um sócio do publicitário se “tornou ‘comprador’ do apartamento da ex-mulher de Dirceu em São Paulo”;

7) Valério “afirma que foi quem ajustou a audiência havida entre os diretores do BMG e o ministro Dirceu”;

8 ) segundo Valério, “Silvio Pereira [ex-secretário nacional do PT] lhe disse que José Dirceu sabia dos empréstimos junto aos bancos”;

9) a presidente do Banco Rural “declarou que Valério era um ‘facilitador’ das tratativas com o governo” e “disse mais, que ‘Dirceu foi a única pessoa do governo com quem ela falou” sobre o interesse do Rural relativo à aquisição de parte do Banco Mercantil de Pernambuco;

10) o ex-deputado Jefferson “afirmou que, por orientação de Dirceu, houve encontro no Banco Espírito Santo, em Portugal, à busca de R$ 24 milhões”;

11) o ex-tesoureiro do PTB, “Emerson Palmieri relata que todas as tratativas eram ratificadas, ao final, por Dirceu;

12) a ex-secretária de Valério na agência de publicada em Belo Horizonte (MG), Karina Somaggio, “testemunhou que Valério mantinha contatos diretos com José Dirceu”.

Serraglio disse que a CPI ajudou a “abrir o caminho” para a eleição de Dilma Rousseff, em 2010, como sucessora de Lula ao enfraquecer Dirceu, nome natural dentro do PT, antes do escândalo, para uma eventual candidatura à Presidência.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

13/06/2012 às 19:21

Para evitar a ópera bufa — Que tal quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônicos dos Leporellos? Ou: Que brasileiro com a renda de Agnelo mora numa mansão de R$ 4 milhões?

A CPI, já escrevi, caminha para o naufrágio e para a farsa — embora nem todos lá sejam farsantes. Mas a maioria dá o tom. E ponto final. Há muitos outros assuntos importantes no país. Mesmo assim, volto à dita-cuja para destacar algo que me parece relevante. Depois da CPI do PC Farias, é muito difícil um malandro ser pego na quebra de sigilo bancário, fiscal e até telefônico. Este então… A, se me permitem o neologismo, falastronice de Cachoeira e amigos nos telefonemas é mais evidência de certo amadorismo do que outra coisa. “Bandido federal”, parafraseando Drummond, não é pego nesse tipo de conversa ou em quebra de sigilo. De resto, se vocês notarem bem, os papos de Cachoeira, Demóstenes e a turma toda mandam a ética para o ralo, sim, mas revelação de crimes, propriamente, não há — no máximo, podem-se fazer ilações a partir de fragmentos de conversa. Sabem por quê? Porque as próprias personagens sabiam que estavam sendo grampeadas. Com alguma frequência, tentam falar por códigos.

Assim, mesmo com a eventual quebra dos sigilos, a chance de que algo de significativo apareça é, acho eu, remota. Políticos fazem milagres no Brasil. Vejam o caso de impoluto Agnelo, que hoje foi mais elogiado pelos petistas do que os portugueses por Camões em Os Lusíadas. Que brasileiro, com a renda que ele tinha — e é político faz tempo —, mora numa mansão avaliada em R$ 4 milhões? Como é que as mansões se multiplicam na mão dessa categoria com tanta facilidade? Com tanta gente para comprar a casa de Perillo, tinha de ser justamente alguém ligado a Cachoeira a fazê-lo? Com tanta gente vendendo casa, Agnelo tinha de comprar justamente a de um empresário que dependia de uma assinatura sua para fazer negócios com a Anvisa? Mais: esse mesmo empresário mantém negócios em parceria com… familiares do governador!

Em seu depoimento, o governador do Distrito Federal disse confiar integralmente em Cláudio Monteiro, assessor que foi demitido nos primeiros dias da crise. Gravações sugerem que ele teria recebido uma espécie de pensão da quadrilha. Muito bem! Se Agnelo tem tanta segurança de que a quebra de seus sigilos nada revelará, ficaria tão à vontade se também fossem abertos os de membros de sua família e do tal Monteiro? Este senhor, sabem os que acompanham a carreira de Agnelo há bastante tempo, está para o atual governador do Distrito Federal mais ou menos como Leporello estava para Dom Giovanni. Na nossa ópera bufa, os sigilos dos Leporellos são muito mais importantes do que os de seus senhores.

Assim, fica aqui a minha dica de boa-fé para que a CPI não morra por inanição, embora saiba ser um esforço inútil: que tal quebrar os sigilos fiscal, bancário e telefônico dos Leporellos e familiares?

Para encerrar, um constraste até jocoso: é mais difícil, do ponto de vita da lógica, alguém como Perillo vender uma casa por R$ 1,4 milhão (que fosse por R$ 2,2 milhões, como acusam alguns), ou alguém como Agnelo comprar uma avaliada hoje em R$ 4 milhões? Onde há maior concentração de milagre?

Por Reinaldo Azevedo

 

13/06/2012 às 18:11

PT e PCdoB blindam Protógenes, o amigo de Dadá do Cachoeira, no Conselho de Ética da Câmara

No Globo Online:
O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), participou, nesta quarta-feira, da sessão do Conselho de Ética da Casa para deixar clara a posição do partido a favor da não investigação do deputado Delegado Protógenes (PC do B-SP), a despeito de relatório do petista Amauri Teixeira (BA), que defende a abertura da investigação no órgão. Tatto afirmou que o PT não vê indícios suficientes para que a investigação prossiga e defendeu voto em separado, apresentado pelo deputado Sibá Machado (PT-AC), que pede o arquivamento da representação contra Protógenes. Um pedido de vistas, feito pelo deputado tucano Carlos Sampaio (SP), adiou para o início do julho a votação do parecer de Teixeira.

Antes do pedido de vista, o deputado Sibá Machado (PT-AC) já havia apresentado um voto em separado pela não abertura do processo contra Protógenes. Para apoiar o deputado, a líder do PCdoB, Luciana Santos (PE) e vários outros deputados do partido acompanharam Protógenes na sessão desta quarta-feira no conselho. O líder do PT pediu a palavra para deixar clara a posição do partido. “Queria esclarecer aos nobres pares que a posição do PT é a do voto em separado do deputado Sibá Machado. Temos convicção que não tem sentido abrir processo contra Protógenes no conselho”, disse Tatto.

O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA) reagiu:
“Aqui cada conselheiro tem mandato de dois anos para não sofrer ingerência dos partidos. Não tomamos conhecimento da posição dos partidos neste conselho, cada conselheiro tem que julgar de acordo com sua consciência. Respeito vossa excelência, mas o Conselho tem que ser independente e não ficar submetido a pressão.”
(…)
Diálogo com Dadá originou representação
A representação contra Protógenes foi feita com base em reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Os tucanos destacam os diálogos telefônicos entre Protógenes e o sargento da reserva da Aeronáutica, Idalberto Matias, o Dadá, que chegou a ser preso por suspeita de integrar a quadrilha do bicheiro Carlos Cachoeira. Os diálogos, ocorridos em 2011, quando Protógenes já era deputado, foram interceptados pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que investigou o esquema ilícito de Cachoeira. Segundo a representação, Protógenes, nos diálogos, dá dicas a Dadá de como ele deveria se portar diante de investigações contra ele, ou seja, estaria orientando pessoa envolvida em possíveis ilícitos como se comportar, o que caracterizaria quebra de decoro parlamentar.

Protógenes se defende, argumentando que as conversas com Dadá são decorrentes de relação dele com o sargento da reserva iniciadas em 2007 quando Protógenes, então delegado, chefiava um grupo operacional de inteligência da PF. E que os contatos que recorda ter feito foram relacionados à Operação Satiagraha.

Por Reinaldo Azevedo

 

13/06/2012 às 18:03

PGR pede abertura de 2 inquéritos contra Agnelo e 1 contra Perillo

Por Laryssa Borges, na VEJA Online:
Apesar de os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), não terem sido acuados nos depoimentos que prestaram à CPI do Cachoeira, no Congresso Nacional, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, impôs a ambos um desgaste político nesta quarta-feira. O chefe do Ministério Público Federal confirmou ter pedido nesta terça ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a abertura de dois inquéritos contra o governador petista e um contra o tucano. Todos os casos correm em segredo de justiça.

Contra Agnelo e Perillo, o procurador-geral vê indícios de crimes relacionados à operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que desbaratou um esquema de exploração de jogos de azar e cooptação de autoridades públicas e privadas pelo bando do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Para ele, estão mal explicadas questões como a venda da mansão de Perillo ao empresário Walter Paulo, em Goiânia, com uma suposta intermediação do contraventor. No caso de Agnelo, as suspeitas dão conta, por exemplo, de haver possibilidade de irregularidades no governo do DF pelo fato de o ex-chefe de gabinete do petista, Cláudio Monteiro, receber propina da quadrilha do contraventor para facilitar a infiltração da construtora Delta no governo local.

Ao STJ, Gurgel ainda pediu a abertura de outro inquérito contra o governador do Distrito Federal por supostas irregularidades na época em que ele era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

À CPI, Agnelo Queiroz disse hoje abrir mão de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico para comprovar que ele não mantinha relações escusas com o contraventor Cachoeira. O governador também disse manter a confiança em Cláudio Monteiro. Agnelo também sustentou a tese de que não houve cooptação de seu assessor porque os objetivos da quadrilha não foram atingidos. Admitiu, no entanto, ter se encontrado uma vez com Carlinhos Cachoeira ao visitar uma indústria farmacêutica do bicheiro quando era diretor da Anvisa.

Em depoimento na CPI do Cachoeira, Marconi Perillo negou ter participado de qualquer esquema fraudulento na venda de sua casa em Goiânia e disse que, se houve irregularidades na venda do imóvel, elas se devem ao ex-vereador Wladimir Garcez, intermediário da negociação. Afirmou também que não pode responder por terceiros que usaram seu nome “de forma irresponsável”. Negou ter atendido aos interesses da quadrilha em seu governo e disse não ter qualquer proximidade com Carlinhos Cachoeira, a quem classificou como um “empresário”.

Por Reinaldo Azevedo

 

13/06/2012 às 17:37

Enfim, os fatos: OAB nega transgressão aos direitos humanos na reintegração de posse do “Pinheirinho”

Do site do Tribunal de Justiça de São Paulo:
Divulgado pela 36ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil — São José dos Campos, o relatório da Comissão Especial para Acompanhamento da Desocupação do Local Denominado “Pinheirinho” — “fruto de um esforço conjunto que envolveu dezenas de advogados que voluntariamente acompanharam toda a problemática em suas diversas fases e realizaram incontáveis diligências” — diz que, entre as causas da desocupação, a principal pode ser “a exploração política e econômica praticada pelos líderes do movimento contra a população carente que se instalou no Pinheirinho”.

Segundo o texto, “a maioria esmagadora da população joseense, de todos os estratos sociais, era amplamente a favor da desocupação do Pinheirinho, fato que constatamos pessoalmente, inclusive em conversa com moradores próximos à área invadida e de perfil social semelhante”.

Sobre a questão judicial, o relatório diz que são inaceitáveis as críticas dirigidas à Magistrada que preside a ação de Reintegração de Posse. Cumpriu o seu trabalho dentro da legalidade, agiu no estrito cumprimento de sua obrigação, demonstrou coragem e coerência. Estavam em jogo não somente o direto da parte, mas o dos credores da massa falida e principalmente a própria legitimidade e autoridade do Poder Judiciário e dos poderes constituídos. Em outras palavras, a Magistrada assegurou a credibilidade de nosso sistema democrático gravemente afrontado por forças antidemocráticas. Contou com o necessário e adequado apoio do Tribunal de Justiça”.

Sobre a atuação da Polícia Militar, o relatório diz: “podemos afirmar com absoluta tranquilidade que NÃO existiram confrontos ostensivos. De uma forma geral, as famílias se retiraram em relativa ordem e se não foi integralmente pacífica, certamente não foi contaminada por violência generalizada, fato surpreendentemente positivo em face das circunstâncias… Os números nos permitem afirmar com tranquilidade que inexistiu violação dos Direitos Humanos na conduta geral da Polícia Militar, mas casos isolados que não podem macular a operação como um todo. Podemos atestar a imensa preocupação, tanto dos Comandantes como dos Soldados, em evitar vítimas e respeitar a integridade física e moral das pessoas”.

O relatório também traz considerações sobre as políticas públicas de acolhimento dos moradores e seu cumprimento pela Prefeitura de São José dos Campos e sobre a atuação da OAB local.

O documento é assinado pelo relator Cristiano Joukhadar, pelo presidente da 36ª Subseção Júlio Aparecido Costa Rocha, pelo secretário adjunto Márcio Santos da Costa Mendes, pelo presidente da Comissão e Tesoureiro Paulo Thiago Borges Palma e pelos representantes das comissões envolvidas na elaboração (Segurança Pública, Direito do Idoso, Direitos da Pessoa com Deficiência, Política Criminal e Penitenciária, Mulher Advogada, Criança e do Adolescente e Direitos Humanos).
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A íntegra do relatório está aqui

Por Reinaldo Azevedo

 

13/06/2012 às 17:17

“Agnelo maravilhoso, heroico, ético, impoluto, espetacular, impecável, sensacional, formidável, extraordinário, genial, severo, correto…” A CPI já era sem nunca ter sido! Ou: Ninguém aguenta a proporção de sete elogios para três críticas!!

A cada momento fica mais evidente: os petistas atuam na CPI segundo uma estratégia de redução de danos. Há, sim, um Collor ou outro que ainda insistem na pauta original — a saber: atingir a Procuradoria-Geral da República, o STF, a imprensa e a oposição —, mas o partido do poder já se dá por satisfeito hoje em atingir a reputação do governador Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Está de bom tamanho. O verdadeiro objetivo da maioria governista da CPI, com uma exceção ou outra, é blindar a Delta. Se der para pegar um representante da oposição na trajetória, tanto melhor.

Por que afirmo isso? Se o PSDB atuou ontem, e atuou, para defender o governador de Goiás, a base governista montou hoje uma verdadeira operação de guerra para proteger Agnelo de si mesmo. Ele, como resta evidente, é bem mais atrapalhado do que Perillo, expressa-se com muito mais dificuldade e, com frequência, diz coisas que, transcritas, não fazem sentido. O raciocínio, com frequência, fica pela metade, perde-se em anacolutos, em frases soltas, desconectadas do eixo do discurso. Uma lástima! Isso, por si, não é prova de culpa, é evidente. Só chamo a atenção para o fato de que é uma personagem que precisa de socorro.

E o socorro veio de uma forma até um tanto vexaminosa. Se Perillo teve de se virar porque, afinal, a oposição é uma esmagada minoria na CPI, Agnelo não corre nenhum risco: é protegido pela maioria que esmaga. Se Perillo era exaltado mais ou menos à proporção de 3 para 7, as glórias de Agnelo são cantadas à proporção de 7 para 3, entenderam? A cada 10 oradores ontem, 3 faziam  salamaleques para o governador de Goiás; a cada 10 que falam hoje, 7 cantam as obras de Agnelo, o probo, em prosa ruim e verso pior. O resultado reflete a composição da comissão: 30% oposição; 70% governo.

Resultado previsível
Exceção feita a algum evento extraordinário, que force outro rumo — alguém que decida botar a boca no trombone, um documento bombástico que surja de alguma escavação —, o resultado dessa CPI é previsível, a despeito da presença de parlamentares bem-intencionados: uma farsa patrocinada pela base governista, muito especialmente pelo PT, que vai se negar a investigar o principal: a rede criminosa montada pela Delta. De tal sorte criminosa que o próprio governo, seu principal cliente, decidiu declará-la inidônea. Mas PT e PMDB não querem saber de investigar.

Os petistas ficaram ontem inconformados com o desempenho de Marconi Perillo. A coisa ia tão mal que Odair Cunha, o relator, foi chamado pelo comando do partido e levou uma carraspana. Era preciso mudar o rumo das coisas. Ele voltou à mesa e protagonizou aquela cena patética, tratando o governador como investigado, quando era testemunha. Hoje, os petistas — na verdade, a base governista — decidiram fazer de Agnelo um herói maior ainda.

Se há algum interesse, como telespectador, em ver uma minoria extrema (a oposição) tentando se livrar dos ataques de uma maioria extrema (o governo), o contrário não tem graça nenhuma. Não em razão do alinhamento com esse ou com aquele lado. É que o mais forte esmagando o mais fraco é coisa de rotina, que acontece a toda hora. O depoimento de Perillo, ontem, tinha tensão narrativa. O de Agnelo ficou burocrático. Ontem, nas suas intervenções, governistas tentavam arrancar do tucano alguma contradição. A gente, do lado de cá, fica na expectativa da resposta. Hoje, com a maioria que têm, os governistas tomam a palavra para declarações incisivas como: “Parabéns, governador Agnelo”; “Sua família deve ter orgulho do senhor”; “O senhor responde tudo, governador!”; “O senhor nada deve, governador”; “Como o senhor é maravihoso, governador!”. Ah, sim: para não perder a viagem, os petistas aproveitam para atacar Perillo, tentando reverter o resultado de ontem.

O relatório
Se a Delta não for investigada a fundo, e eu acho que não vai ser, essa CPI termina como começou: movida pelo espírito de farsa — insito que essa farsa não contamina os de propósitos honestos, e os há, que lá estão. O relatório do deputado Odair Cunha (PT-MG), que será aprovado (70% contra 30%, lembram-se?), é tão previsível quanto o fato de que amanhã será quinta-feira. Apontará uma penca de irregularidades no governo de Goiás, cantará as glórias e a pureza ética de Agnelo, evitará qualquer sugestão que possa comprometer o governo federal e incluirá alguma peroração moral em favor do financiamento público de campanha. E isso terá de ser feito antes das eleições de outubro para que a peça possa ser usada como material de campanha.

Compreensível! Essa CPI começou com Lula e Dirceu tentando impor ao país o seu padrão de ética e moralidade.

Por Reinaldo Azevedo

 

13/06/2012 às 16:02

Agnelo, que não explicou à Justiça a compra de sua mansão, também não consegue explicá-la à CPI; casa era de empresário beneficiado por ato da Anvisa quando ele era presidente

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, já teve a chance de explicar a Justiça como comprou a mansão em que mora, hoje avaliada em R$ 4 milhões. Não conseguiu — como deixou claro a própria Justiça. Hoje, indagado por parlamentares de oposição, teve a chance de dar explicações convincentes. Não conseguiu de novo. Segue uma síntese do caso, feita Pela VEJA Online.
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Apesar de negar a existência de irregularidades na compra da casa onde vive, uma mansão de 550 metros quadrados em uma área nobre de Brasília, o governador Agnelo Queiroz, do Distrito Federal, se enrolou ao não comprovar a origem dos recursos que permitiram a aquisição do imóvel. O petista, que depõe à CPI do Cachoeira nesta quarta, pagou 400 000 reais pela casa em 2007. Um ano antes, ele havia declarado à Receita Federal ter um patrimônio de apenas 224 000 reais.

Agnelo, que fala à CPI nesta quarta, processou os jornalistas que fizeram reportagem sobre a venda da casa. Durante o processo, o petista foi instado pela Justiça a apresentar sua declaração de imposto de renda que poderia comprovar a origem dos recursos usados na transação. O petista se negou: mostrou apenas os comprovantes de que havia entregue sua declaração do imposto de renda. “Esses extratos não demonstram sequer que a aquisição da casa foi incluída nas declarações de IR”, afirmou a juíza Priscila Faria da Silva.

A magistrada condenou o governador a pagar 3 000 reais aos jornalistas. À CPI, Agnelo prometeu comprovar a origem dos recursos usados na compra do imóvel: “Isso será reparado absolutamente. Vou fazer isso”, disse. Agnelo afirmou ter renda familiar suficiente para adquirir a casa com um ano de economias.

De quem era a casa?
O antigo dono do imóvel, o empresário Glauco Santos, é dono de uma empresa que, meses depois da transação, foi beneficiada por um ato assinado diretamente por Agnelo - então diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária: o petista firmou a permissão de funcionamento da companhia de Glauco.

Agnelo não vê problema em ter referendado o ato: “É um atestado absolutamente simples”, disse. Glauco Santos também se transformou em sócio da mãe e da irmã de Agnelo em franquias de restaurantes. O petista acha tudo normal. “É uma relação privada, empresarial”, afirmou.

Além da falta de comprovação da origem dos recursos, a transação chama a atenção pelo valor: os 400 000 reais não são, nem de longe, suficientes para pagar um imóvel semelhante ao do petista na mesma região. Agnelo disse não saber quanto vale, hoje, a mansão. “Não sei, não sou corretor”, respondeu ele, secamente, quando questionado pelo deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP).

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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