Trinca do PT — Dirceu, Delúbio e Genoino — nem precisa da condenação por formação de quadrilha para ir parar atrás das grades...

Publicado em 09/10/2012 05:52 e atualizado em 27/05/2013 17:31 1717 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Trinca do PT — Dirceu, Delúbio e Genoino — nem precisa da condenação por formação de quadrilha para ir parar atrás das grades, um bom lugar para quem frauda o regime democrático

José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares agora são, oficialmente corruptos. No caso, corruptos ativos — vale dizer: corruptores. O tribunal ainda vai decidir se são também quadrilheiros, imputação que está no Capítulo II (ementa com a síntese da denúncia aqui), o último a ser votado. As ministras Rosa Weber e Carmen Lúcia absolveram os núcleos políticos da imputação de formação de quadrilha. Noto que seus respectivos votos não devem ser tomados necessariamente como antecipação de sua decisão sobre a trinca petista quanto a esse crime em particular. A razão é simples: é defensável a tese, embora eu não concorde com ela, de que os políticos dos vários partidos não se uniram numa bando com o propósito de cometer crimes em série, de forma reiterada. Mas e o trio do PT condenado ontem por corrupção ativa, em associação com Marcos Valério e seus sócios? Bem, parece que está caracterizada a ação continuada, não é?, que se estendeu de 2003 até a explosão do escândalo.

Não sei o que se passa pela cabeça das ministras nem estou tentando adivinhar. Apenas afirmo, com base nos argumentos, que seus respectivos votos de absolvição no caso daqueles políticos podem render a condenação do trio petista também por formação de quadrilha. E não haveria contradição nenhuma com suas posições naqueles casos. Ao contrário: haveria uma relação puramente lógica. Assim, a situação de Dirceu, Genoino e Delúbio, que já é bastante difícil, pode se agravar ainda mais.

Prestem atenção! Eles não foram condenados ontem por uma imputação de corrupção ativa, não!, mas por várias. Dirceu e Delúbio (a ver no caso de Genoino) amargaram pelo menos… NOVE! Cada condenação rende uma pena que vai de 2 a 12 anos, e elas se somam. Na pura matemática, Dirceu já pode ser condenado a algo entre 12 e 108 anos. Vamos ver que decisão tomarão os ministros na hora da dosimetria. Faço esse destaque para que não se insista na falácia de que, sem a condenação por formação de quadrilha, dificilmente Dirceu, Delúbio ou Genoino iriam para a cadeia. Errado! Só as várias imputações — e condenações — por corrupção ativa pode lhes render uns bons anos de cana, sim! Segundo as regras da democracia e do estado de direito.

A pantomima de Dirceu
Dirceu divulgou ontem uma, imaginem!, “Carta aos Brasileiros”, em que lembra o seu passado de lutas e coisa e tal. Mitifica — e mistifica a respeito — a própria biografia para tentar caracterizar o julgamento, que se exerce segundo todos os rigores do estado de direito, como obra de um tribunal de exceção (ver íntegra posts abaixo).

E anuncia, ora vejam!, que vai lutar. Espero que seja só com o teclado. Também poderia ser só com o seu dinheiro. Boa parte de sua defesa pública — a sua tropa de choque na rede e em alguns veículos impressos mixurucas — é feita com o nosso, uma vez que é obra daquela gente fartamente financiada com dinheiro público; isso quando não está pendurada em veículos oficiais mesmo!

José Luiz de Oliveira Lima, seu advogado, aquele que encerrou a sua defesa afirmando que a condenação de José Dirceu seria nada menos do que uma agressão ao estado de direito (!), apareceu ontem no Jornal da Globo anunciando alguma forma de recurso. Talvez seja ao Padre Eterno, vai saber… Ainda que se venha a discutir a possibilidade dos embargos infringentes — coisa de que duvido um pouco —, o ex-deputado cassado por corrupção na Câmara e condenado por corrupção no Judiciário não terá nem mesmo os quatro votos divergentes necessários àquele recurso.

Não, não! À diferença do que sustentou Oliveira Lima — “Juca” para os íntimos dele, o que não é o meu caso —, não era só o depoimento de Roberto Jefferson que incriminava o seu cliente. Uma pletora deles deixou evidente que José Dirceu sempre teve o domínio do conjunto da obra, do fato. E o que isso quer dizer? Que os políticos que participaram da lambança, um após outro, deixaram claro — EM JUÍZO E SOB O CRIVO DO CONTRADITÓRIO — que os acertos feitos com o PT, intermediados por dinheiro, tinham de ser referendados por José Dirceu. Era ele o chefe — embora, claro!, tivesse também um… chefe. Mas o Apedeuta não é réu…

A tese de Lewandowski e de Dias Toffoli de que se está diante de um caso de “responsabilização objetiva” — isto é, de condenação de alguém só porque ocupava um cargo — é ridícula porque despreza os autos. Não por acaso,  só puderam sustentar essa estupidez ignorando os depoimentos. No caso de ambos, no que concerne a Dirceu, a viseira da Justiça funcionou ao contrário. Aquela senhora tem os olhos tapados para que possa decidir com base apenas nos princípios e nos fundamentos da lei, sem ver a quem. Lewandowski e Toffoli taparam os olhos para poder enxergar… José Dirceu.

Texto publicado originalmente às 4h18

Por Reinaldo Azevedo

 

É preciso acabar com alguns mitos — ainda que benignos! Não há mudança nenhuma de valores no Supremo! Isso é tese mensaleira!!!

De fato, nunca se viu um julgamento como o do mensalão no Supremo. Mas atenção! É porque também nunca se cometeu um crime dessa envergadura e com tamanha ousadia. Em que outro momento da história um partido, aboletado no poder, por intermédio de alguns de seus figurões, meteu a mão em dinheiro público e recorreu a várias fraudes, inclusive bancária, para financiar um projeto de poder que, se tivesse seguido sem percalços, teria significado a rendição da democracia aos saques na boca do caixa? Isso nunca aconteceu! Logo, há um julgamento inédito não porque os ministros do Supremo tenham decidido ser agora justiceiros ou vá lá, especialmente justos. Há um julgamento inédito porque o crime cometido é também inédito. Só isso!

Aqui e ali, vejo até pessoas de boa-fé a saudar o fato de que, agora sim, o STF teria decidido ser severo na interpretação do que vem a ser corrupção passiva, por exemplo, dispensando até mesmo o ato de ofício, exigência que antes só atenderia à impunidade. Eis uma mentira influente. Aliás, Lewandowski e Dias Toffoli já sugeriram, em suas respectivas intervenções, ter havido uma mudança de postura do tribunal, a que eles seguiriam porque, afinal, submetem-se ao colegiado… Ainda ontem, no Jornal da Globo, Arnaldo Jabor transitou por essas águas perigosas, acrescentando que os juízes, agora, estariam julgando como a gente faria e tal…

Lamento! Tudo errado! Ainda que possam ser erros bem-intencionados em alguns casos. Juízes têm de julgar como juízes, não como a gente… A lei nunca exigiu assinatura de ato de ofício para caracterizar a corrupção passiva (Artigo 317 do Código Penal). Basta, lembrou tantas vezes Celso de Mello (muito citado pelos advogados de defesa como se o ministro endossasse suas teses furadas), que exista a perspectiva do ato. Mais: ato de ofício define, na verdade, o conjunto de atribuições do agente público. Há décadas a consumação de um ato  de um servidor em razão de algum benefício recebido é agravante de pena. O crime está definido no caput. O tribunal não inovou uma vírgula. Sempre foi assim.

Da mesma sorte, não há novidade quando um ministro recorre ao chamado conjunto das provas indiciárias para formar a sua convicção. Quem assim procede age absolutamente de acordo com a lei. Não se inova absolutamente nesse particular. Afirmar que o tribunal estaria agindo assim desta feita para ser especialmente rigoroso com os réus de agora é tudo o que querem ouvir seus advogados. Mais: há décadas a obrigação de provar alguma coisa em juízo é de quem alega. Se um advogado apresenta um álibi, este tem de ser provado, sim! E isso não implica inverter o ônus da prova de quem acusa para quem defende. Ao defensor é facultado, se quiser, simplesmente negar a imputação. Se apresenta uma narrativa para demonstrar que um determinado crime não poderia ter sido cometido por seu cliente em razão desta desta circunstância ou daquela, cumpre-lhe, se necessário, provar o que diz. O que há de novo nisso?

Da mesma sorte, a condenação de um réu porque se conclui que ele detém, afinal, o domínio do fato não é inovação da especial severidade em curso. É outra falácia. Até porque não se conclui que alguém tem o domínio do fato apenas porque ocupa este ou aquele cargo. Isso, sim, seria um caso de responsabilização objetiva. Para que se possa condenar, é preciso que existam provas, evidências, indícios, fatos… É o que existia contra José Dirceu. Os que o condenaram o fizeram com base em depoimentos, inclusive de aliados seus, dando conta de que era ele, e não outro, a chancelar os acordos azeitados pelo dinheiro manipulado por Delúbio e Marcos Valério.

Sim, este julgamento avançou, e alguns larápios devem ir para a cadeia. E devemos aplaudir esse fato. Mas que fique claro: os ministros que condenaram os réus o fizeram de acordo com a lei, com base nos mais claros e evidentes fundamentos legais.

Esse Supremo já mandou mal algumas vezes, sim! Eu já o critiquei muitas vezes. E sempre quando considerei que ele se distanciou do texto escrito em benefício da pura interpretação. No caso do mensalao, o tribunal está apenas seguindo a lei. Sem inovação ou releituras heterodoxas, ainda que para o bem! 

Texto publicado originalmente às 5h06

Por Reinaldo Azevedo

 

Celso de Mello dá oito voto pela condenação de Dirceu e 7º pela de Genoino; ministro acusa projeto de poder criminoso, destinado a asfixiar a oposição

O ministro Celso de Mello deixa claro que vai dar o oitavo volto pela condenação de José Dirceu e o sétimo pela condenação de José Genoino.

Põe todos os pingos nos “is”. Afirma que os crimes do mensalão (não cita o nome) fere as regras do estado de direito e a essência da democracia. Mais: a compra de partidos e de políticos frauda a vontade do eleitor “na medida em que migrações inesperadas, motivadas por razões criminosas e subalternas (…) culminam por gerar um arbitrário desequilíbrio de forças no Parlamento, numa fraude à vontade popular (…), o que “asfixia o exercício pleno da oposição política”, sem a qual não existe democracia.

Segundo ele, essa é uma das consequências do “criminoso projeto de poder” praticado pelos réus do processo, “em particular por José Genoino e José Dirceu”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Celso de Mello recorre a Cícero e vê “neoverrismo” dos réus

Celso de Mello começa seu voto citando Lord Acton: “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente”.

O ministro acusa a existência de “atos infamantes” dos réus e seu “comportamento desonesto”. Diz que o mensalão foi um “neoverrismo”, referindo-se a Caio Verres, governador da Sicília, nos estertores da República romana, notório por sua gestão corrupta.

Mello citou as “Verrinas”, sete textos escritos por Cícero contra Caio Verres. Segue um trechinho do segundo discurso, traduzido por Anna Carolina Barone:
“Ora, Verres roubará o que houver de mais belo em cada canto? Ninguém mais pode ter nada? Uma só casa, a dele, engolirá todas as mais opulentas casas? Então ninguém dos antecessores pôs a mão para que ele viesse e pegasse? Caio Cláudio Pulcro devolveu para isso, só para que Caio Verres pudesse roubar?”

Por Reinaldo Azevedo

 

Celso de Mello afirma que mensalão foi um caso de “macrodelinquência política”

Celso de Mello afirma que o mensalão — sempre sem dizer o nome — é um caso de “macrodelinquência governamental”, de “uso criminoso e abusivo do aparato governamental ou partidário” para a execução de um projeto de poder. Na mosca!

Acompanhou na íntegra o voto do relator, Joaquim Barbosa.

Por Reinaldo Azevedo

 

Lewandowski não entendeu a “Teoria do Domínio do Fato” ou finge não ter entendido?

O ministro Ricardo Lewandowski resolveu deixar claro — sem querer contestar, enfatizou, Celso de Mello… — o que pretendeu dizer ao fazer restrições à teoria do domínio do fato. E demonstrou, é inescapável constatar, que não conhece a teoria.

Por quê? Ao chamar a atenção para os riscos da aplicação da teoria, afirmou que chegará ao dia em que o presidente da Petrobras poderá ser condenado por causa do vazamento de petróleo…

Errado! Ele confunde “teoria do domínio do fato” com “responsabilização objetiva” — condenação de alguém só porque exerce uma determinada função. Celso de Mello, com a intervenção do ministro Luiz Fux, deixou claro que a doutrina do domínio do fato só pode ser aplicada diante de “elementos concretos que evidenciem a culpa do autor e o lime subjetivo que o vincula à prática delituosa”. Ela também “não dispensa nem exime o Ministério Público de demonstrar a materialidade e a autoria do fato delituoso”.

Mello chama a atenção para algo que tenho destacado aqui e nos programas da VEJA.com: o STF, também nesse caso, não está recorrendo a uma doutrina de exceção ou ad hoc, só para punir José Dirceu ou José Genoino.

O ministro prova ainda que a teoria é compatível com o Código Penal brasileiro quando tratado “concurso de pessoas”. Ou Lewandowski, de fato, não entendeu nada ou finge não ter entendido. Em qualquer dos casos, é lamentável.

Por Reinaldo Azevedo

 

Celso de Mello dá uma carraspana humilhante em Lewandowski sobre a “teoria do domínio do fato”

Celso de Mello faz uma digressão sobre a “teoria do domínio do fato” e contesta, de forma, bem…, humilhante, a tese levantada por Ricardo Lewandowski, segundo a qual a doutrina do “domínio do fato” seria aplicada só em situações excepcionais ou seria adotada por regimes autoritários.

Não! Mello lembra que as mais importantes democracias do mundo, notadamente a moderna Alemanha, a aplicam. Mais do que isso: evidencia que é aplicada frequentemente no Brasil. Logo, não se trata de ato de exceção, como o ministro revisor tentou fazer parecer.

Mello deixa claro o óbvio: não se pode condenar alguém só por apego a uma doutrina. É preciso que haja fatos. Em sua fala, evoca, por exemplo, as provas indiciárias, deixando claro que elas servem, como quaisquer outras provas, para formar a convicção do juiz.

Fico, claro!, feliz ao constatar o voto de Celso de Mello. Por quê? Na quinta-feira passada, eu estava no Rio quando Lewandowski fez suas atrapalhações. Escrevi, naquele dia, pouco antes de sair do hotel para o lançamento do meu livro, o seguinte:

Caras e caros, estou no Rio, preparando-me para o lançamento de logo mais de “O País dos Petralhas II – O inimigo agora é o mesmo”. Mas estou atento. Parte desses “inimigos” está sendo julgada agora no Supremo.

O ministro Ricardo Lewandowski não supreendeu ninguém. Há uma diferença entre ser garantista e ser leniente. Aliás, esses são conceitos, na verdade, opostos. O “garantismo” tanto atende aos direitos dos réus como ao direito de reparação que têm os ofendidos.

O ministro Ricardo Lewandowski fez tabula rasa de dois fundamentos consolidados em todas as democracias do mundo: a teoria do domínio do fato e a força das provas indiciárias, que podem levar um juiz a concluir pela culpa e até pela inocência de um réu. Casados, esses dois fundamentos impedem que os poderosos se escondam atrás de prepostos. A prevalecer a tese de Lewandowski, a Justiça brasileira se tornará, de fato, a caricatura que dela fazem: prende os peixes pequenos e deixa soltos os tubarões.

O que ele queria para condenar José Dirceu? Um recibo assinado? Um ofício em três vias? As reuniões com a banqueira, na companhia de Delúbio Soares e Marcos Valério, antes da concessão de um empréstimo fraudado, então não existiram? Trata-se de um absoluto despropósito.

A história tem suas ironias, não é? O partido que vinha para acabar com a impunidade nestepaiz apela, indiretamente, a um conceito de Justiça que estava e está no cerne da impunidade. Isso vindo do PT e de petistas não me surpreende. Ao contrário, confirma todas as minhas teses.

Concluindo
Lewandowski resolveu responder e demonstrou que não sabe o que é “teoria do domínio do fato”. Ele a confunde com “responsabilização objetiva”, o que é, de fato, detestável. Trata do assunto no próximo post.

Por Reinaldo Azevedo

 

Barbosa é eleito presidente do STF com 9 votos

Joaquim Barbosa está eleito por nove votos a um presidente do STF. A regra informal, não legal, é a seguinte: assume sempre o ministro mais antigo na casa que ainda não tenha presidido a corte. Por essa regra, a vez é de Joaquim Barbosa. Legalmente, qualquer um pode ser escolhido em votação secreta.

No escrutínio desta quarta, Barbosa obteve nove votos, e Ricardo Lewandowski, que será vice-presidente, recebeu um. Este um voto deve ter sido do próprio Barbosa. Por tradição, o candidato natural não vota em si mesmo. Para vice, pela mesma regra, Lewandowski foi eleito com nove votos — um para Carmen Lúcia. Da mesma sorte, o voto em Carmen deve ter sido do vice eleito. Os que não votam em si mesmos sempre votam nos futuros sucessores.

Por Reinaldo Azevedo

 

Ayres Britto segue o voto do relator. Pronto! Delúbio: 10 a zero; Genoino: 9 a 1; Dirceu: 8 a 2

O presidente do tribunal, Ayres Britto, seguiu o voto do relator. Pronto! A pantomima de Dirceu chega ao fim com um placar de 10 a zero contra Delúbio Soares, 9 a 1 contra José Genoino e 8 a 2 contra o Recluso de Vinhedo.

Por Reinaldo Azevedo

 

A teoria do “direito penal do inimigo”

Esse julgamento está sendo positivo porque tem permitido debater uma série de questões relevantes. Celso de Mello fez algumas considerações sobre o que é conhecido como “direito penal do inimigo”. O ministro expressou, segundo entendi, seu repúdio à tese. O principal formulador dessa teoria é o jurista alemão Günther Jakobs.

Vamos ver. Tenho escrito textos tratando desse assunto ao longo dos anos, especialmente quando vem à tona o debate sobre o terrorismo. Jakobs parte do princípio, e não me parece que se deva descartar suas considerações como absurdas, que há inimigos do estado que não podem dispor das mesmas garantias asseguradas ao cidadão comum.

É claro que é uma tese delicada, mas que tem de ser enfrentada. O terrorismo, que não reconhece os fundamentos do estado democrático e de direito, pode, é fato, recorrer às garantias desse estado para tentar solapá-lo. O que fazer nesse caso?

Por Reinaldo Azevedo

 

Salve Ayres Britto! Projeto de poder dos mensaleiros era tentativa de “golpe”

O ministro Ayres Britto pronunciou a palavra que estava faltando até agora neste julgamento: GOLPE!!!

Britto fez a devida distinção entre “projeto de governo” e “projeto de poder”. O primeiro é legítimo é está em praça pública, é de todos conhecido. O outro não! O mensalão era um projeto de poder e, dados os instrumentos a que recorreu, buscava dar um “golpe” no “conteúdo da democracia, na República e no republicanismo”.

É isto! O mensalão foi uma tentativa de golpe de estado pela via argentária.

Por Reinaldo Azevedo

 

O voto exemplar de Ayres Britto: comprar e vender voto são atos que “fraudam o povo inteiro”

Ayres Britto, o presidente do STF, está votando. Lembra que coligações partidárias fazem parte do jogo democrático, bem como a formação de uma base aliada no Congresso para viabilizar o governo. Mas destaca: “A formação argentária, pecuniária, de maioria, com base na propina, no suborno e na corrupção” é repudiada pela ordem jurídica brasileira.

Britto diz que um partido, como o PT (cujo nome ele não cita), não tem o direito de se apropriar do outro. Ou, pior ainda, de estender a sua “malha hegemônica” para um pool de legendas. O ministro afirma que, no “vórtice da insensatez”, esse esquema resolveu recorrer a “profissionais” — referindo-se a Marcos Valério — para operar esse “estilo de fazer política, excomungado pela ordem jurídica brasileira”.

O ministro deixa claro algo relevantíssimo: ao comprar partidos e políticos, o PT lhes subtraía a vontade e a identidade, com o propósito de se eternizar no poder. Ora, partidos, diz Britto, têm identidade, e as urnas têm um perfil ideológico. A compra da consciência do congressista e dos partidos frauda a vontade popular. E aqueles que compra e que se vendem “fraudam o povo inteiro”.

Ayres Britto certamente dará o 10º  voto pela condenação de Delúbio, o 9º pela condenação de José Genoino e o 8º pela condenação de Dirceu. 

Por Reinaldo Azevedo

 

Atos de resistência e um convite

O que os ministros do Supremo, afinal de contas, estavam e estão julgando? Nada mais do que os métodos a que recorreu um partido para pôr em prática um projeto de poder. Gilmar Mendes deu destaque ontem a um depoimento de Delúbio Soares — que, à diferença de Jefferson, por exemplo, não teria qualquer interesse em acusar Dirceu ou em se acusar — em que ele confessa, com todas as letras, que manter unida a base (e a grana era só um meio para isso) era fundamental para os planos de expansão petistas.

Eis aí o país dos petralhas. Eis algumas das práticas que venho denunciando há alguns anos. A cultura política que essa gente tentou engendrar, abarcando as mais diversas áreas da experiência social e intelectual, está retratada em “O País dos Petralhas II – O Inimigo Agora é o mesmo”. À diferença do que disse certo bobalhão, não se trata de um livro contra Lula ou mesmo de que este seja a personagem principal.

A personagem principal de “O País dos Petralhas II”, nos capítulos que debatem política, ideologia, cristofobia, drogas, aborto ou cotas raciais (entre muitos outros assuntos), é a indigência intelectual protagonizada por esta “nova elite”. O que faço ali é propor a resistência à vigarice e à mistificação.

Renovo o convite aos leitores de Brasília. Eu os aguardo para o lançamento do livro na cidade no dia 16 de outubro, próxima terça-feira, às 19h, na Livraria Saraiva do Shopping Pátio Brasil.

Próximos lançamentos agendados
Curitiba

08/11 – Livrarias Curitiba, do Shopping Estação

Porto Alegre
20/11 – Livraria Cultura do Bourbon Shopping

Florianópolis
28/11 – Livrarias Catarinense, do Continente ParkShopping

Texto publicado originalmente às 4h32

Por Reinaldo Azevedo

 

Juíza manda aliado de Haddad devolver R$ 21 milhões aos cofres da cidade de SP, mas petista quer é lhe dar a chave do cofre

Um momento lindo: Lula dá a mão a Maluf na celebração da união em benefício de Haddad

Ai, ai… Nada como um dia após o outro, com a falta de vergonha na cara no meio… O deputado Paulo Maluf (PP-SP), aliado de Fernando Haddad na disputa pela Prefeitura de São Paulo, terá de devolver R$ 21 milhões aos cofres públicos. É o ponto final de uma ação que foi movida por… petistas no tempo em que o PT fazia oposição ao ex-prefeito.

Hoje, eles estão juntos, e o agora deputado, um monumento à moralidade nacional, comandará um pedaço da Prefeitura caso Haddad vença a eleição. Eis o PT! Quando Maluf era adversário, eles o levaram para a barra dos tribunais — e por bons motivos. Agora, Maluf é aliado,  e eles querem levá-lo para dentro da Prefeitura.

Corolário: o PT não recorreu à lei contra Maluf por senso de justiça, mas apenas porque ele era seu adversário. Agora que é aliado, tornou-se um homem bom. Não que o malufismo envergonhe o petismo ou que este possa envergonhar aquele.  Trata-se de forças complementares contra a moralidade pública.

Leiam o que informa José Ernesto Credendio, na Folha:
O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) terá de devolver R$ 21,315 milhões aos cofres municipais até este mês, por decisão da Justiça, após perder todos os recursos numa ação movida pelo Ministério Público Estadual, com base numa representação apresentada pelo PT em 1996. Prefeito paulistano de 1993 a 1996, Maluf é hoje aliado dos petistas na coligação que tenta levar Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. O deputado foi intimado a devolver à prefeitura o valor de prejuízos de operações financeiras com papéis do Tesouro Municipal no caso conhecido como “escândalo dos precatórios”, em razão de uma condenação ocorrida em dezembro de 1998.

Como ele não conseguiu derrubar a sentença em instâncias superiores, em 20 de setembro deste ano a juíza Liliane Keyko Hioki, da 3ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, atendeu pedido do Ministério Público e deu prazo até este mês para Maluf restituir o valor à prefeitura. A ação, por improbidade administrativa, foi motivada por petistas como o atual ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), Devanir Ribeiro e José Mentor, ambos do diretório nacional, o vereador José Américo e os deputados Carlos Zarattini e Adriano Diogo, na época opositores à gestão de Paulo Maluf.

O valor da restituição foi atualizado em agosto e, caso Maluf não o devolva, deve pagar mais juros e multa de 10%, determinou a juíza. Antes, o deputado tentara suspender o processo com apelações ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ao STF (Supremo Tribunal Federal). Em março de 2009, em recurso relatado pelo ministro Ayres Britto, o STF negou o pedido de Maluf, que já havia perdido também no Tribunal de Justiça paulista.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Lula agora fala em guerra!!!

Ui, ui, ui… O Babalorixá de Banânia agora está nervoso. Parece que mudou a sua percepção sobre o mensalão. Depois de afirmar que os brasileiros estavam mesmo preocupados é com a situação do Palmeiras — eu, como corintiano, estou e quero o nosso rival histórico na primeira divisão —, ele agora decidiu declarar “guerra” aos adversários.

Ele estava reunido ontem com a cúpula do PT enquanto rolava o julgamento do mensalão. Viu a trinca petista ser condenada por corrupção ativa e deu a ordem: quer “guerra” contra os adversários que usarem o caso em campanha eleitoral. Huuumm… De fato, é uma coisa muito feia. Os que disputam eleições com o PT devem se dedicar apenas à exaltação das virtudes do adversário. Afinal, é assim que agem os petistas, certo?

Na Folha, lê-se o seguinte:
O secretário de Organização do PT, Paulo Frateschi, acusou adversários de montar um script, “inclusive com as Redações dos grandes jornais”, para prejudicar a sigla.

Essa tática do PT de acusar a imprensa de estar alinhada com o adversário é velhíssima. O mais chato e aborrecido é que costuma funcionar. Imediatamente, para provar que os petistas estão errados, seus adversários começam a apanhar — como se o petismo nas redações já não fosse saliente o bastante… A imprensa paulistana é esmagadoramente pró-Haddad — ultrapassando, em muitos casos, o limite da honestidade intelectual e do decoro. Já demonstrei isso aqui. E não me refiro aos textos analíticos, não. Estou falando é do tom das reportagens mesmo.

Verifiquem vocês mesmos. Façam a contabilidade das reportagens e comentários negativos para Haddad e para Serra. Vocês verão com quem está boa parte da imprensa paulistana. 

Ah, sim! Lula teve uma ideia genial para enfrentar seus críticos: recomendou aos petistas que ataquem… FHC! Ele não é mesmo original? Haddad, o menino lulo-malufinho, já cumpriu a tarefa…

Por Reinaldo Azevedo

 

O belo e o justo se estreitam num abraço são

No dia em que o STF condenou José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares por corrupção ativa, um arco-íris surgiu no céu de Brasília, registrado nessa foto de Pedro Ladeira (Frame). A natureza não é judiciosa. O céu poderia estar igualmente ornado, ainda que Dirceu tivesse sido condenado. Mas, nesse caso, oi belo estaria em contraste com justo. Se beleza e justiça puderam se estreitar num abraço são, saudemos a coincidência.

Por Reinaldo Azevedo

 

O Kit Imprensa-PT de censura – Daqui a pouco, críticos do kit gay serão perseguidos pela Polícia Federal com o apoio de jornalistas… Como em 2010

Não demora, e setores da imprensa logo passarão a defender a censura prévia na campanha eleitoral em São Paulo, a exemplo do que fizeram em 2010, agora para tentar proteger Fernando Haddad de si mesmo. Vivemos dias em que a única forma legítima — e laica!!! — de fazer política é aderindo à pauta petista. Ou é isso ou se decreta: “É tema religioso! E a política é para leigos!”.

O caso da hora é o tal “kit gay”. Sim, na gestão Haddad, fizeram-se os famigerados “kits” para ser distribuídos das escolas. Há os filmes. Há os livros. O material é intelectual, moral e tecnicamente delinquente. Foi elaborado — e custou dinheiro público — na gestão de Fernando Haddad. Ninguém é contra a que se combata o preconceito nas escolas, qualquer preconceito, inclusive aquele que existe, E É O MAIS ANTIGO E PERMANENTE NAS ESCOLAS, contra os alunos mais inteligentes e mais capazes, geralmente discriminados pelos malandros socialmente bem-sucedidos no ambiente escolar ao menos. Qualquer preconceito, se preconceito, é detestável, inclusive o que existe contra estudantes gays.

Sempre que Haddad é indagado pela imprensa companheira, filocompanheira ou “moderna e leiga” a respeito, faz-se a pergunta de um ponto de vista engajado, de quem é favorável àquela porcaria. Um dos filmes oficiais defendia que travestis passassem a usar banheiros femininos também nas escolas. As alunas querem isso? Seus pais não têm de ser ouvidos a respeito? Outro filme diz que ser bissexual traz vantagens na comparação com o heterossexual. A POLÍTICA DE FERNANDO HADDAD entregou a tarefa de elaborar esse material a ONGs. Gastou alguns milhões com isso. Ele é igualmente protegido de sua herança nas universidades federais.

Muito bem! Em 2010, o debate sobre o aborto — levado adiante, sim, por setores religiosos da sociedade — mobilizou quase toda a imprensa nacional em defesa de Dilma Rousseff. Sua opinião arreganhadamente favorável ao aborto foi lançada na categoria do boato. Era como se tudo não passasse de uma acusação feita por seus adversários. Não! Ela havia concedido entrevista à Folha, gravada em vídeo — que praticamente desapareceu —, em que se dizia favorável à LEGALIZAÇÃO DO ABORTO. Não era descriminação o que ela defendia. Ia mais longe: queria legalização mesmo. Disse o mesmo em uma entrevista à revista Marie Claire.

Muito bem! Um setor da Igreja Católica fez um panfleto ASSINADO — REITERO: ASSINADO — recomendando AOS CATÓLICOS que não votassem em candidatos favoráveis ao aborto. O material foi censurado, por ordem da Justiça Eleitoral. A Polícia Federal foi posta no encalço do autores do texto. Pessoas foram detidas apenas por portar o papel.

Atenção! Não se citava um só nome no texto, nada! A autoria estava clara! Tratou-se de um caso escandaloso de censura à liberdade de expressão, APLAUDIDA POR JORNALISTAS OU COM PALAVRAS OU COM O SILÊNCIO, o que é ainda pior porque covarde.

A fé e a política
Sindicalistas podem se manifestar. Professores podem se manifestar. Engenheiros podem se manifestar. Movimentos sociais podem se manifestar. Até bandidos podem se manifestar! Então não podem os crentes, os que têm fé? O fato de o poder, no Brasil, ser laico — FELIZMENTE! — impede que os cristãos digam o que pensam?

Uma coisa é uma igreja ser dona de um partido — como o é a Igreja Universal do Reino de Deus, que comanda o PRB —; outra, distinta, é a expressão de uma opinião política daqueles que têm fé. São realidades completamente distintas. No mundo inteiro, temas relacionas a comportamentos e a escolhas de natureza moral estão presentes no debate político. É parte da democracia. Porque a sociedade e o poder são laicos, pode um dirigente, como Fernando Haddad, tentar impor às escolas uma orientação que vai bem além do direito — e do dever — que tem o estado de educar as crianças? Ora…

Haddad tem de responder por suas escolhas. Se a imprensa que lhe é servil não lhe faz a devida cobrança por seus atos, não pode ter a ambição de censurar aqueles que o fazem, AINDA QUE SUA MOTIVAÇÃO SEJA RELIGIOSA, ORA ESSA! Ou, então, que se declare a ilegalidade e a ilegitimidade da religião. Alguém a tanto chegará em nome das luzes? Depois dessa censura, qual será a próxima?

Fiquem atentos! Daqui a pouco, alguns tarados da censura, em nome do laicismo, vão propor censura aos críticos do kit gay. É o kit Imprensa-PT do laicismo. É o kit Imprensa-PT da censura. A síntese é a seguinte: “Ditadura boa é a nossa!”

Por Reinaldo Azevedo

 

A pesquisa Datafoilha e a escolha entre a virtude e o crime

Pesquisas eleitorais têm o peso que têm. Neste 2012, houve erros escandalosos, inclusive em São Paulo. Mas estão aí. Mobilizam a imprensa, os ditos setores formadores de opinião e, muito especialmente, os financiadores legais. Ajudam, em suma, a estruturar e a desestruturar campanhas — bom para quem é beneficiado pelo erro, né?

O Datafolha divulgou mais uma nesta quarta, antes do início do horário eleitoral do segundo turno, sobre a disputa em São Paulo. O petista Fernando Haddad aparece com 47% das intenções de voto, e o tucano José Serra, com 37%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. Num segundo turno, ainda que essa diferença seja real, 10 pontos podem valer cinco. A pesquisa servirá para o PT dar uma largada triunfalista. O partido usará a “autoridade” do instituto para anunciar sua vitória iminente. Dizem não saber quem escolher 8% dos eleitores, e outros 8% votariam em branco.

Dadas as características dessa eleição, ainda falta muito tempo para o segundo turno. Vamos ver como cada lado vai se apresentar ao eleitor. O confronto tem de se dar no campo dos valores. Uma disputa eleitoral não é apenas um choque de biografias e de agenda, mas também e sobretudo de valores.

PSDB e PT têm biografias políticas. Os tucanos têm de explicitar isso ao eleitorado paulistano. E esse eleitorado será soberano para escolher entre a virtude e o crime.

Por Reinaldo Azevedo

 

Condenação de Dirceu é notícia na imprensa internacional

A condenação de José Dirceu virou notícia em vários veículos de comunicação do mundo.

O New York Times foi quem fez a melhor síntese, dando o seguinte título acima de uma foto de Lula e Dirceu batendo um papinho: “Caso de corrupção no Brasil aumenta esperança no sistema judicial”. No primeiro parágrafo, escreve o jornal:
“Os brasileiros estão de tal sorte acostumados à impunidade, especialmente quando se trata da lendária corrupção de seu sistema político, que eles recorrem frequentemente a uma máxima fatalista para descrevê-la: a polícia prende, mas a Justiça solta”.

Escreve ainda o jornal:
“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se recusa a reconhecer que o esquema de compra de votos, que está no centro do escândalo, existiu. Mas o ex-chefe do seu governo, José Dirceu de Oliveira e Silva, é acusado de chefiar o esquema. Nesta terça, na sessão mais importante do julgamento, atingiu-se a maioria entre os 10 ministros da corte para condená-lo. A corte também considerou José Genoino, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, que está no governo, culpado de corrupção”.

O francês Le Monde escreveu em sua homepage: “Brasil: três íntimos do ex-presidente Lula condenados por corrupção”. No primeiro parágrafo, está lá:
“A corte suprema do Brasil reconheceu, nesta quarta, 10 de outubro, que três dos homens mais próximos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — seu chefe da Casa Civil, José Dirceu; o ex-presidente de seu partido (Partido dos Trabalhadores) José Genoino e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares — são culpados de corrupção ativa. Eles foram considerados culpados de haver participado de um vasto sistema de compra de votos no Parlamento pelo PT nos primeiros anos do governo Lula (2003-2010). As penas não serão conhecidas antes do fim do processo, que deve durar ainda algumas semanas”.

O mensalão, Dirceu e Lula no francês “Le Monde”

“Auxiliar de Lula é condenado por corrupção”, informa a inglesa BBC.  A notícia também está no jornal espanhol El País: “Supremo declara Dirceu, ex-ministro de Lula, culpado de corrupção”. A foto que ilustra o texto é do ministro Ricardo Lewandowski, com o ar compungido. Os espanhóis entenderam o espírito da coisa.

Dirceu, seu chefe e o crime na BBC

 

Por Reinaldo Azevedo

 

Assim termina a história do herói José Dirceu

Esta foto de Moacyr Lopes Junior, da Folhapress, é de anteontem. Flagra o todo-poderoso José Dirceu quando ia votar para prefeito de São Paulo. Aquele que emitiu nesta terça uma nota exaltando o próprio heroísmo está aí, como se vê, cercado de seguranças. Militantes do PT o acompanhavam e chegaram a agredir jornalistas.

A foto é um emblema destes tempos e um justo epílogo de sua história política. Ele havia convocado a reação das massas. Terminou cercado de seguranças e de alguns brutamontes dispostos a distribuir sopapos na imprensa livre, que ele voltou a atacar nesta terça.

Assim termina o herói.

Por Reinaldo Azevedo

 

“Lula sabia e participou do esquema”, diz senador Álvaro Dias

Por Rosa Costa, no Estadão Online:
A condenação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do mensalão, apontado como o “chefe da quadrilha” pelo Ministério Público, reforçou nesta terça a proposta do PSDB de entrar com representação na Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O líder tucano no Senado, Alvaro Dias (PR), entende que Dirceu e Lula agiam em conjunto e que não há argumento capaz de isolar as ações de ambos. “É uma heresia dar tratamento diferenciado ao ex-ministro e ao ex-presidente”, alega. “Lula não só sabia do esquema como participou de toda a farsa. No mínimo ele cometeu crime de responsabilidade”. O líder lembrou que os presidentes do DEM e do PPS já se manifestaram favoráveis à representação contra o ex-presidente logo que terminar a fase atual do julgamento do mensalão.
(…)
O líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), destacou igualmente como repercussão da condenação de José Dirceu o envolvimento de Lula na prática de usar dinheiro público para “comprar” deputados. “A condenação do Supremo pelo crime de corrupção ativa carimba o governo Lula como o mais corrupto da história do País”, constata.

No entender do líder, a provável prisão de “homens fortes do PT” marca uma nova etapa no País no que se refere ao combate à corrupção. “O que assistimos até hoje eram políticos corruptos sendo acusados, algumas vezes até presos, mas na Justiça eles eram beneficiados pela prescrição dos crimes, pela demora no julgamento ou mesmo inocentados”, lembra. “Ao condenar a quadrilha do mensalão, o Supremo dá ao País o recado de que os poderosos não estão acima da lei”.

Para o presidente do DEM, senador José Agripino (RN), a condenação de Dirceu “complementa” o processo entre os mandantes do esquema e aqueles que cumpriam as ordens. “Morre a história da farsa e do mensalão que diziam não ter existido”, afirma. “O esquema existiu com seus mandantes e seus mandados”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

A nota ridícula de José Dirceu

O corrupto, segundo a Câmara dos Deputados e o Supremo Tribunal Federal, José Dirceu decidiu emitir uma nota sobre a sua condenação. A nota é de um ridículo ímpar mesmo para os padrões de Dirceu. Ainda voltarei a ela mais tarde. Leiam.

AO POVO BRASILEIRO

No dia 12 de outubro de 1968, durante a realização do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir.

Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada, uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes.

Voltei clandestinamente ao país, enfrentando o risco de ser assassinado, para lutar pela liberdade do povo brasileiro.

Por 10 anos fui considerado, pelos que usurparam o poder legalmente constituído, um pária da sociedade, inimigo do Brasil.

Após a anistia, lutei, ao lado de tantos, pela conquista da democracia. Dediquei a minha vida ao PT e ao Brasil.

Na madrugada de dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu.

A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha.

Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência.

Hoje, a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos, que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a minha inocência. O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.

Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.

Minha sede de justiça, que não se confunde com o ódio, a vingança, a covardia moral e a hipocrisia que meus inimigos lançaram contra mim nestes últimos anos, será minha razão de viver.

Vinhedo, 09 de outubro de 2012

José Dirceu

Por Reinaldo Azevedo

 

Dia histórico: 19h07 do dia 9 de outubro – Marco Aurélio é o sexto voto pela condenação de Dirceu e o sétimo pela de Genoino; ex-ministro deve ter placar contrário de 8 a 2; Genoino, de 9 a 1

Todos os ataques verbais à ordem institucional e à Justiça engendrados pelo PT foram inúteis. O ministro Marco Aurélio Mello leu o sexto voto pela condenação de José Dirceu e o sétimo pela condenação de José Genoino.

O voto do ministro também é arrasador. Faz uma verdadeira razia nas teses da defesa e do maior de todos os advogados dos réus: Ricardo Lewandowski.

Celso de Mello está ausente da sessão. Deve votar amanhã, quando se manifestará também Ayres Britto, presidente do tribunal.

A expectativa de que condenação ou absolvição de Dirceu tivessem placar apertado não se cumprirá. Dirceu deve amargar oito votos pela condenação; o placar contra Genoino deve ser de nove a um.

Pausa para o pensamento profundo de Lula…

Dirceu. Genoino e Delúbio estão condenados. Ainda resta esperança para o pais.

Por Reinaldo Azevedo

 

E Dirceu volta a falar em mobilizar, como direi?, as massas contra a sua eventual prisão; na 4ª, ele convocará reação do PT

Por Catia Seabra, na Folha:
Sob risco de condenação pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o ex-ministro José Dirceu avisou a colaboradores que se manifestará, na quarta-feira, à cúpula do PT sobre o julgamento do mensalão. Sua intenção é fomentar um movimento político contra sua provável prisão. O discurso acontecerá um dia depois da sessão do Supremo que selará o futuro de Dirceu. Será sua primeira declaração após o julgamento. Até agora, quatro dos dez ministros que participam do julgamento votaram sobre seu caso: três pela condenação e um pela absolvição.

A próxima sessão será amanhã. Em recente reunião com aliados e assessores, Dirceu disse que não cairá calado. Antes dedicado a discussões macroeconômicas, o blog do ex-ministro será um instrumento de ação política. A cargo de sua assessoria política, a mobilização de Dirceu preocupa o comitê eleitoral de Fernando Haddad. O comando da campanha teme que essa articulação afete Haddad na corrida pela Prefeitura de São Paulo, já que o escândalo do mensalão foi explorado pelo adversário tucano, José Serra, no primeiro turno.

Apesar de disposto a falar ao Diretório Nacional do partido -convocado para discutir a sucessão municipal- o ex-ministro evitou contato com o eleitor ontem na hora do voto. Para driblar o assédio, Dirceu -que até 2010 votava num colégio em Moema, reduto de classe média- pediu transferência de seu domicílio eleitoral para o distrito de Cursino, região periférica da cidade.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Mendes lembra uma série de depoimentos que confirmam que Dirceu tinha o domínio dos fatos chamados “mensalão”

Gilmar Mendes lembra uma série de depoimentos que deixa claro que José Dirceu tinha o efetivo controle do partido, especialmente na formação da base de apoio. E o mensalão nada mais era do que uma das formas de consolidação dessa base. Mendes sustenta, em suma, que é falsa a tese de que o único depoimento existente contra Dirceu seja o de Roberto Jefferson.

O ministro faz algumas considerações, no entanto, sobre o depoimento de Jefferson. Observa que esse depoimento não pode, de fato, ter valor absoluto porque o ex-deputado é, afinal, um dos réus. Mas lembra que suas declarações compõem o conjuntos dos indícios e que suas declarações serviram para desvendar a cadeia criminosa.

De todo modo, Mendes, reitero, lembra uma série de outros depoimentos que comprovam que Dirceu sempre esteve no controle dos acordos que eram feitos pelo PT com as demais legendas — acordos intermediados pelos crimes que foram chamados de “mensalão”.

Bingo!

Por Reinaldo Azevedo

 

Genoino está condenado; Gilmar Mendes dá o 6º voto por sua condenação e o 5º pela de Dirceu

O ministro Gilmar Mendes acaba de dar o sexto voto pela condenação de José Genoino e o quinto pela condenação de José Dirceu.

Mendes lembra que a lambança fazia parte de uma projeto de poder. Para tanto, recorre a um testemunho do próprio Delúbio Soares.

Por Reinaldo Azevedo

 

Carmen Lúcia dá o 5º voto pela condenação de José Genoino e faz indagações essenciais sobre esse réu

Carmen Lúcia dá o quinto voto pela condenação de José Genoino. Ao fazer considerações sobre o ex-presidente do PT, deixa claro que sua biografia não está em julgamento. Faz indagações óbvias: como é que ele assume a presidência do PT com as finanças confessadamente em frangalhos e, pouco depois, toma ciência da entrada de recursos em penca, para distribuição aos demais partidos, sem indagar a origem daquele dinheiro? Não se trata, diz ela, de “responsabilização objetiva” coisa nenhuma!

Por Reinaldo Azevedo

 

O desabafo de Carmen Lúcia: Defesa de Delúbio tentou fazer com que um crime passasse por coisa normal

A ministra Carmen Lúcia, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral, faz um pronunciamento importantíssimo: diz-se estarrecida com a defesa de Delúbio Soares, que admitiu claramente os ilícitos, chamando, porém, os crimes de “caixa dois”. E ela afirma: “Caixa dois é crime, ora! E agride a sociedade brasileira”.

Afirma ter ficado chocada com a desfaçatez da defesa, que confirmou perante o juízo a existência do crime, porém tentando lhe mudar o sentido.

Carmen Lúcia condena, por corrupção ativa, Marcos Valério, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz,  Simone Vasconcelos e Rogério Tolentino. Absolveu Anderson Adauto e Geiza Dias. Tudo indica que vai condenar José Genoino.

Por Reinaldo Azevedo

 

Lula fala e, mais uma vez, como disse Chaui, “iluminou o mundo”…

Como disse Marilena Chaui, a professora de filosofia que começou explicando Spinoza e terminou justificando Delúbio Soares, “quando Lula fala, o mundo se ilumina”. Ontem, ele comentou a possível influência do mensalão nas eleições deste ano. E, então, resolveu ser iluminista:

“A população não está preocupada com isso [mensalão]; o povo está preocupado se o Palmeiras vai cair e se Fernando Haddad vai ganhar”.

Estava acompanhado dos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo (pré-candidato — Jesus!!! — ao Supremo), e da Educação, Aloizio Mercadante, apontado como pré-candidato ao governo de São Paulo em 2014. Os dois, claro!, concordaram com o chefe.

A campanha de José Serra à Prefeitura deveria levar, sim, esse depoimento de Lula ao horário eleitoral do segundo turno e criar um mecanismo de consulta para que as pessoas pudessem se manifestar a respeito.

Por Reinaldo Azevedo

 

O erro escandaloso do Ibope em Manaus. Ou: um “empate” com quase 21 pontos de diferença!!!

O vexame dos institutos de pesquisa nesta eleição não foi pequeno — e São Paulo nem é o caso mais escandaloso. Um deles certamente vai entrar para a história. No dia 20 de setembro, o Ibope anunciou o empate entre Arthur Virgílio, candidato do PSDB à Prefeitura de Manaus, e Vanessa Grazziotin, do PCdoB. Ambos estariam com 29% das intenções de voto. A partir de então, ainda que institutos locais apontassem Virgílio na frente, com vantagem folgada, deu-se de barato que o empate era um fato.

E até se apontavam as razões para tanto: Lula foi a Manaus e participou de um comício em favor de Vanessa. Atacou Virgílio com gosto. A comunista disputa a Prefeitura com o apoio ainda de Dilma, do governador Omar Aziz (PSD) e do líder do governo no Senado e ex-governador, Eduardo Braga (PMDB).

Pois bem: computadas as urnas, o tucano Arthur Virgílio obteve 40,55% dos votos válidos; aquela que estaria empatada com ele ficou com 19,95%. Um empate com quase 21 pontos de diferença!

Por Reinaldo Azevedo

 

José Genoino equipara jornalistas a torturadores e demonstra ignorar a diferença entre ditadura e democracia. Faz sentido!

Por Matheus Magenta, na Folha. Volto em seguida:

O ex-presidente do PT José Genoino comparou ontem a imprensa brasileira à ditadura após ser questionado se tinha medo de ser preso. Ele é um dos réus do julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal) e três dos dez ministros já votaram pela sua condenação. “Vocês são urubus e torturadores da alma humana. Vocês fazem igual aos torturadores da ditadura. Só que agora não tem pau de arara, tem uma caneta”, gritou ele, logo após chegar para votar em um colégio eleitoral no Butantã (zona oeste de SP).

A comparação foi repetida mais de dez vezes pelo petista, a cada pergunta feita pela reportagem da Folha. Após o voto de sua mulher, Rioco Kayano, que o acompanhava, ele desistiu de votar e foi embora irritado com os sucessivos questionamentos. Durante o período em que esteve no local de votação, eleitores perguntaram para ele: “Cadê a ficha limpa?”

A Polícia Militar de São Paulo e os seguranças da Universidade São Judas, onde ele vota, tentaram impedir que a reportagem da Folha falasse com o ex-deputado federal (por cinco mandatos, sendo o último entre 2006 e 2010). “Dá pra respeitar o direito dele de votar? Ele não é mais um homem público”, argumentou a mulher do petista, atual assessor especial do Ministério da Defesa.
(…)

Voltei
Bem, se Genoino não distingue uma caneta de um pau-de-arara, presume-se que não saiba a diferença entre ditadura e democracia. Faz sentido. Por isso mesmo, sob o pretexto de combater a ditadura militar, ele tentou implementar no Brasil a ditadura comunista. 

Por Reinaldo Azevedo

 

O segundo turno em SP: basta que o político mande para que o eleitor obedeça?

Só São Paulo importa para a Lula. E agora? Tanto o PRB, de Celso Russomanno (21,6%), como o PMDB, de Gabriel Chalita (13,6%), são partidos alinhados com o governo federal. Mas quem não é? Só mesmo o PSDB, o PPS e o DEM — e, ainda assim, Brasil afora, essas três legendas se uniram com partidos da chamada “base aliada”. O DEM, por exemplo, está na coligação vitoriosa de Luiz Marinho (PT), em São Bernardo. Na pura aritmética, PRB e PMDB selariam um acordo com o petista Fernando Haddad, e a fatura estaria liquidada. As coisas, no entanto, não são assim tão simples.

Chalita, certo como a luz do dia, vai fechar com Haddad (28,98%) e se oferecerá para exercitar seu esporte predileto, depois de escrever livros como quem respira: atacar o tucano José Serra (30,75%). Tenta negociar algum cargo federal ou ter algum reconhecimento público do Planalto. Já o eventual apoio pessoal de Russomanno parece um pouco mais delicado: foi o PT que deu início à desconstrução de seu nome, especialmente para os eleitores da periferia. Setores da imprensa paulistana, alinhados escancaradamente com Haddad, atuaram com o petismo numa espécie de frente. O candidato do PRB acusou o petista, entre outras coisas, de mentir. Este, por sua vez, afirmou que as propostas daquele puniam os mais pobres. Terão ambos cara para pedir ao eleitor que compreenda agora uma eventual aliança? Vamos ver.

Quem é esse eleitor que resistiu e ficou com Russomanno, apesar da saraivada de balas? Estamos falando de 1.324.021 pessoas. É um mar de gente. Isso faz dele, só para que vocês tenham uma ideia, uma das pessoas mais votadas do Brasil. Só perde, claro!, para Serra e Haddad e para o campeão em número absoluto de votos: Eduardo Paes (PMDB), do Rio, que obteve 2.097.733.

Esse eleitor de Russomanno, cuja campanha tinha um inequívoco sotaque conservador — embora um conservadorismo meio tosco —, migraria facilmente para a candidatura Haddad só porque, afinal, os partidos pertencem à mesma base aliada do governo Dilma? Pode até acontecer, mas não por isso. O que estou dizendo, em suma, é que é bobagem esse negócio de alinhamento automático. É inegável, por exemplo, que a candidatura de Russomanno mobilizou setores consideráveis da população evangélica, que não tem lá muitos motivos para se deixar encantar pelo petista.

O mesmo vale para aqueles que escolheram Gabriel Chalita. Não tenho os dados, mas intuo que estamos falando de outro corte de renda. Embora o candidato, especialmente nos debates, tenha sido notavelmente agressivo com Serra, parece evidente que seu discurso não apela à mística petista. Chalita tem, sabidamente, uma penetração importante em fatias do eleitorado católico não exatamente próximos da dita “Igreja Progressista” (seja lá o que isso signifique). Também nesse caso, não basta que ele diga que vai com Haddad para que os seus eleitores o sigam.

Resultado incerto
O PT precisará ainda inventar para Haddad um discurso que funcione, o que, prestem bem atenção!, até agora, não aconteceu. Enquanto a campanha do candidato insistia no “promessódromo” e na história do “maior ministro de Educação de todos os tempos”, que “tem o apoio de Lula e Dilma”, a candidatura patinou na casa dos 15%, um pouco mais, um pouco menos. Ele começou a se mover quando o PT aderiu, sem medo de ser feliz, à campanha negativa, desconstruindo Russomanno. O Haddad afirmativo convenceu pouca gente; o Haddad que partiu para o ataque conseguiu surrupiar parte dos votos do outro.

A campanha de Serra começou com a exposição de suas realizações, um pouco desatenta, de início, à formidável anticampanha de desconstrução de sua imagem que estava em curso — unindo petistas e setores influentes da imprensa. Percebeu a tempo que o eleitorado parecia ter poucas dúvidas sobre a sua biografia administrativa ou sua capacidade para gerenciar a cidade. Quando o tucano enfrentou a questão “Será que ele vai ficar se for eleito?”, a candidatura se estabilizou. E, como todos viram, o PSDB se encarregou de lembrar que, afinal, existe, sim, o julgamento do mensalão. A cúpula do petismo, diga-se,  que está sendo julgada pertence ao PT de São Paulo — mais especificamente, ao paulistano.

Abstenções, brancos e nulos
Há uma massa considerável de eleitores que preferiu não escolher candidato nenhum, alcançando índices inéditos. Deixaram de comparecer às urnas 18,49% dos aptos a votar. É o maior desde 1996, incluindo aquele ano: 17,20%. Vejam os demais: 14,20% (2000), 14,95% (2004), 15,63% (2008). Anularam o voto 7,35% dos que compareceram — nos demais anos: 5,40% (1996), 5,7% (2000), 4,39% (2004), 3,86% (2008). Votaram em branco desta vez 5,42%, contra 1,6% (1996), 4,1% (2000), 2,29% (2004), 2,81% (2008). Isso quer dizer que quase 30%  (28,9%) do eleitorado, de 8,6 milhões de pessoas, não escolheu… NINGUÉM!

Como todos sabem, mesmo quem se absteve no primeiro turno pode decidir votar no segundo. Tanto Serra como Haddad estarão falando também a uma massa enorme de eleitores um tanto descrentes. É com promessas que se conquistam eleitores que parecem um tanto ressabiados? Tendo a acreditar que não! Sem prejuízo, é evidente, de tratar TAMBÉM de questões concretas, que digam respeito ao dia a dia da cidade, parece-me que é o confronto de valores que pode fazer a diferença.

É possível que um novo país — e uma nova cidade, porque é nas cidades que moram as pessoas — esteja fazendo esforço para nascer. É aquele país que está aprendendo a admirar a Justiça e que se regozija com o fim da impunidade. É aquele país que exige, de fato e de verdade, ética na política, não apenas no discurso.

Texto publicado originalmente às 5h11

Por Reinaldo Azevedo

 

Lula: tudo, qualquer coisa e mais um pouco para tomar São Paulo

Luiz Inácio Lula da Silva resolveu medir forças com o governador Eduardo Campos (PSB), em Recife, e quebrou a cara. Humberto Costa (PT) ficou em terceiro lugar na disputa (17,43%), e, por muito pouco, o tucano Daniel Coelho (27,65%) não disputa o segundo turno com Geraldo Júlio, do PSB, que se elegeu com 51,15% dos votos válidos. Lula, aí com o suporte de Dilma Rousseff, também decidiu que era o caso de botar pra quebrar em Belo Horizonte. Não deu certo! Márcio Lacerda, também do PSB, com o apoio de Aécio, elegeu-se na primeira jornada. Já escrevi aqui e repito: não vejo eleições municipais como prévias de eleições federais. O que há de importante nesses eventos é a seguinte constatação: não basta Lula mandar para a população votar assim ou assado. Trata-se de um mito que não encontra suporte na realidade. Nessas duas grandes capitais, lideranças regionais tiveram mais influência. Nos dois casos, a ação de Lula e Dilma foi vista por parte do eleitorado como uma espécie de “interferência estrangeira”.

Os petistas sabem que não tiveram um resultado brilhante nas eleições. Por isso, nas redes sociais, tentam comemorar como uma grande vitória a ida de Fernando Haddad para o segundo turno. Os paulistanos podem se preparar. Vem jogo pesado pela frente. A máquina federal será mobilizada como nunca. Para Lula, eleger Haddad é uma questão de honra, já que o candidato é uma invenção sua. Não só isso: uma eventual vitória na maior cidade do país servirá para amenizar as feridas decorrentes do julgamento do mensalão.

O PT tinha candidatos próprios em 17 capitais. Só Paulo Garcia, de Goiânia, se (re)elegeu no primeiro turno. No país como um todo, fez 623 prefeituras — contra 1.013 do PMDB e 687 do PSDB. O partido está no segundo turno em seis capitais: São Paulo, Salvador, Fortaleza, João Pessoa, Rio Branco e Cuiabá. Chegou à frente em apenas três (Fortaleza, João Pessoa e Rio Branco). Não teve vantagem expressiva em nenhuma. O PSDB também fez um só prefeito de capital: Rui Palmeira, de Maceió. E está no segundo turno em oito outras: além da capital paulista, contam-se Vitória, São Luís, Teresina, João Pessoa, Manaus, Belém e Rio Branco.

A obsessão e o trampolim
É claro que os petistas querem vencer nas capitais em que foram à etapa seguinte e coisa e tal. Mas Lula trocaria, sem piscar, as seis por São Paulo porque depende vitalmente desse resultado para dar sobrevida a seu projeto pessoal. Nos oito anos em que ficou no poder, viu o PT ser derrotado duas vezes para a Prefeitura e duas para o governo de Estado. Ele próprio, na cidade, nunca obteve mais votos do que o adversário nas disputas que travou.

A cidade é vista como uma etapa importante de uma sonho antigo: tomar o Palácio dos Bandeirantes, lugar onde os petistas nunca puseram os pés. Por muito pouco — não fosse a intensa campanha negativa contra Celso Russomanno, que contou com amplo apoio de setores da imprensa —, o petismo não experimentou um desastre monumental. O Apedeuta fará tudo, qualquer coisa e mais um pouco para tomar São Paulo.

Texto publicado originalmente às 3h50

Por Reinaldo Azevedo

 

Mensalão – Os petistas são tão fabulosos que conseguem mentir quando dizem “sim” e quando dizem “não” a uma mesma pergunta

Os petistas e seus satélites na academia estão numa incrível bateção de cabeça. E, por incrível que pareça, dizem coisas opostas sobre um mesmo fato, e as duas versões têm o ânimo da mentira.

Um desses subintelectuais engajados jura em entrevista que o mensalão não tem a menor importância nas eleições, que a população está preocupada com outra coisa e tal e que a coincidência atrapalha a democracia. Deveria mandar um e-mail para Ricardo Lewandowski. Foi a sua demora em concluir a revisão que provocou a coincidência. Lula é da mesma opinião. O povo quer saber, diz ele, se o Palmeiras cai ou não para a segunda divisão.

Essa postura negacionista busca minimizar a importância do julgamento, num esforço para a imprensa mudar a pauta. A cada vez que se fala em mensalão, afinal, um bom grupo de brasileiros se lembra da natureza do PT e dos petistas. Negar a evidência é a primeira e a mais conhecida forma de trapaça intelectual.

Já Gilberto Carvalho, o secretário-geral da Presidência, faz o contrário, mas com o mesmo intuito. Este considera que o mensalão atrapalhou, sim, o desempenho do PT nas urnas porque aderiu àquela corrente que, no fundo, considera o julgamento um golpe contra o partido. No mundo dessa gente, esse julgamento jamais teria acontecido. Também é uma trapaça porque procura dar àquilo que é normal na democracia — o Judiciário julgar!!! — o peso de um ato de exceção.

Vejam que coisa: os petistas conseguem mentir quando dizem “sim” e quando dizem “não” a uma mesma pergunta.

Por Reinaldo Azevedo

 

Eduardo Campos elogia FHC após ser cortejado por tucanos

Por Fábio Guibu, na Folha:
O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, elogiou nesta segunda-feira (8) o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e disse que seu governo “deixou um legado que foi importante para o Brasil, inclusive para o êxito do governo Lula”.

O afago de Campos vem um dia depois de FHC defender a aproximação dos tucanos com os socialistas para as eleições de 2014 e após declarações no mesmo sentido feitas pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Cotado para a sucessão presidencial, o governador disse que os dois partidos têm posições divergentes no plano nacional, mas que isso não impede que o PSB reconheça o papel que o PSDB teve na vida pública nacional.

“Posso falar da estabilidade econômica, que houve avanços importantes na educação, como a universalização do acesso ao ensino, uma série de questões que, no calor da disputa, a velha política não permitiu que houvesse esse reconhecimento”, afirmou.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Noticiário parcial II – O caso Folha-UOL e o “pior desempenho”…

Se vocês recorreram aos arquivos dos dois grandes jornais paulistanos, Folha e Estadão, encontrarão pencas de “análises” sugerindo que o tucano José Serra não chegaria ao segundo turno das eleições. Afinal, era o que indicavam as ditas “pesquisas”, com seus analistas sempre muito percucientes e profundos, que agora deram para culpar os eleitores. Estes seriam inconstantes demais… Bem, se é assim, pesquisa pra quê? Todo resultado já nasceria velho, não é mesmo? Alguma coisa está fora da ordem com as pesquisas eleitorais, mas os “especialistas” preferem mesmo culpar os votantes. É mais ou menos como o médico que se irrita com o paciente porque não consegue diagnosticar o seu mal…

Muito bem! Serra chegou em primeiro lugar, o que surpreendeu os gênios da análise. Não a mim. Em todas as eleições que disputou, teve mais votos do que lhe atribuíram os levantamentos. Mas sigamos. 

Não se pense que ganhou uma folguinha do “jornalismo isento” por isso! De jeito nenhum! O UOL e a Folha não hesitaram: resolveram tisnar o que não deixou de ser uma conquista — afinal, dizia-se que estaria fora da disputa final — com um fato negativo: teve a mais baixa votação percentual das últimas quatro eleições.

É mesmo? E o PT? Em 2004, Marta obteve 35,82% dos votos válidos no primeiro turno; em 2006, para o governo de São Paulo, Mercadante ficou com 31,68%; em 2008, Marta (de novo!) ficou com 32,79% para a Prefeitura. Em 2010, na cidade, Dilma Rousseff arrebanhou 38,14%. Agora, em 2012, Fernando Haddad obteve 28,98%. Ou seja: o mais baixo percentual na cidade em cinco eleições. Mas, é certo, isso não será notícia.

O caso de 2006
A Folha é o veículo que mais explorou como coisa negativa o fato de Serra ter renunciado em 2006 à Prefeitura para concorrer ao governo de São Paulo. Aliás, o tal papel assinado é coisa de um dos seus: Gilberto Dimenstein, que decidiu criminalizar o que é procedimento normal da política.

Pois bem: Folha e UOL deram destaque agora a essa história de “o mais baixo desempenho”. Mas nunca fizeram o contrário quando os fatos apontavam… o contrário! A melhor marca de Serra na cidade foi obtida justamente em 2006: elegeu-se governador, no primeiro turno, com 53,1% dos votos válidos na cidade de que havia sido prefeito.

Vale dizer: a melhor marca de Serra se deu justamente no ano em que ele tomou a decisão que é demonizada pelo jornal e por alguns de seus colunistas.

Sim, eu digo em quem vou votar. Quero que o leitor saiba! Mas não distorço os fatos nem recorro a cortes de dados malandros. Fazê-lo para disfarçar a adesão a uma candidatura é trapaça.

Finalmente, poder-se-ia defender aquela abordagem afirmando que decidiram comparar Serra com Serra, à diferença do que faço, comparando PT com PT. Pois é… O meu critério é melhor porque o que é permanente é o fato de os PARTIDOS disputarem eleições. De outro modo, um candidato teria de ser sempre novato para não ser comparado consigo mesmo. A justificativa, se dada, seria tosca.

É evidente que o objetivo foi carimbar no candidato que não é da estima a pecha de “decadente”. A Folha, sempre tão atenta ao combate ao preconceito, há muito decidiu tratar Serra como ultrapassado, velho etc. Dia desses, uma senhora do jornal decidiu ironizá-lo porque não teria sabido se comportar adequadamente quando uma eleitora resolveu lhe beijar a boca meio de supetão. A sugestão que ficou é a de que, fosse ele mais jovem, teria se comportado como um daqueles seres líricos das músicas de Wando… Reitero: defendo que jornalistas e veículos possam fazer declaração de voto.

O que não é aceitável é que o jornalismo faça coisas que não diz e diga coisas que não faz.

Por Reinaldo Azevedo

 

Oba! Agora todo mundo dá palpite em SP: Dilma, Lula, Sérgio Cabral, a mãe-Joana… Ou: Noticiário parcial I

A campanha na imprensa paulistana em favor de Fernando Haddad, candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, já está a todo vapor. Li o título de uma reportagem do Estadão Online — “Apoio do PMDB a Haddad é ‘caminho natural’, diz Paes” — e já me mobilizei para dar uns cascudos em Eduardo Paes (PMDB), prefeito reeleito do Rio, depois de tê-lo elogiado não faz 24 horas. A despeito de suas alianças, considerei a sua reeleição justa. Faz uma boa gestão no Rio. Como sempre faço, no entanto, decidi ler primeiro a reportagem, a saber:

Por Rafael Moraes Moura e Leonêncio Nossa:
O prefeito reeleito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), disse nesta segunda que o apoio do PMDB à candidatura de Fernando Haddad (PT) à prefeitura de São Paulo é o “caminho natural”. Paes se reuniu com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, acompanhado do governador do Rio, Sérgio Cabral, e do vice-governador, Luiz Fernando Pezão. O prefeito obteve 64,60% dos votos válidos.

“(Viemos) Fazer um agradecimento à presidente Dilma, não tenho dúvida que essa vitória que tivemos ontem é fruto de um governo que fez muita coisa, é muito fruto dessa parceria que a gente conseguiu implantar no Rio, e a presidente Dilma desde a eleição de 2008 foi fundamental”, disse Paes a jornalistas.

De acordo com Cabral, a presidente “está muito entusiasmada” com a candidatura de Haddad. “A gente tá muito feliz com a vitória do prefeito Eduardo Paes, mas em relação a São Paulo, ela (Dilma) disse que está com muita esperança na vitória do Fernando Haddad e muito entusiasmada”, afirmou Cabral. Questionado se o PMDB devia fechar com o PT em São Paulo, Paes respondeu: “Acho que é o caminho natural, mas aí São Paulo é São Paulo, depende do vice-presidente Michel Temer e do candidato Gabriel Chalita”.

Provocado se daria um dos seus votos para Haddad, Paes disse que não “é dono de voto”. O prefeito reeleito e o governador do Rio devem se encontrar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para agradecer o apoio.

Voltei
Como se vê, a informação real do texto é a visita de Paes e Cabral a Dilma para os agradecimentos de praxe. O “gancho” paulistano é o que se chama “forçar a barra”. Indagado sobre quem o PMDB deve apoiar em São Paulo, Paes deu a resposta óbvia. Qual seria a alternativa? Ele próprio é aliado do PT no Rio. O PMDB é o principal partido da base de apoio. Foi uma resposta sóbria. Mas foi parar no título da reportagem do Estadão, como se o prefeito do Rio fosse uma espécie de autoridade político-eleitoral em São Paulo.

Já Cabral, como sempre, atravessa o samba. O dançarino dos sete lenços e um sem-limites por natureza e não vê mal nenhum em, sendo governador de Estado, comportar-se como porta-voz. Como porta-voz não é, vira, então, garoto de recado.

Arremato voltando a Paes. Notem que ele foi instigado a dar seu testemunho pessoal pró-Haddad. Como teve senso de ridículo, declinou delicadamente do convite.

Por Reinaldo Azevedo

 

Personagens da Rede de Escândalo fracassam na eleição

Os personagens da Rede de Escândalos que concorreram às eleições 2012 não têm o que comemorar. Com exceção do petista Carlos Alberto Grana, que disputa o segundo turno da eleição em Santo André, na Grande São Paulo, nenhum dos demais nomes listados na ferramenta do site de VEJA avançou no pleito realizado neste domingo em todo o Brasil.

Carlos Alberto Grana, deputado estadual, integrou o grupo que, durante a campanha eleitoral de 2002, montou um QG nos Jardins, em São Paulo, com a missão de desencavar denúncias e montar dossiês contra adversários do então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva. Integrado por antigos amigos de Lula e sindicalistas da CUT, o chamado bunker petista foi revelado por VEJA em 2003. Então secretário-geral da CUT, Grana encarregou-se da logística do escritório e era o responsável por providenciar carros, celulares, passagens e dinheiro. Disputa o segundo turno da eleição na cidade do ABC Paulista com Dr. Aidan Ravin, do PTB. Na primeira etapa, Grana obteve 155.606 votos – e encerrou a contagem em primeiro lugar.

Já em São Paulo, Paulinho da Força, do PDT, amargou um sétimo lugar na corrida pela prefeitura, com 38.750 votos – 0,63% do total. Na Rede de Escândalos, Paulinho é personagem central do caso que envolve a Operação Santa Teresa, da Polícia Federal. Investigação de 2008 da PF revelou que Paulinho participou do esquema de desvio de recursos do BNDES que abasteceu os cofres clandestinos da Força Sindical e do PDT. O caso custou-lhe a presidência do partido – e o tornou alvo de inquérito no Supremo. No mesmo ano, apesar do parecer do relator recomendando a cassação do mandato, dez dos catorze parlamentares que integram a Corregedoria da Câmara não encontraram nada que desabonasse a conduta de Paulinho.

O senador Humberto Costa, do PT, ocupou apenas o terceiro lugar na contagem de votos da eleição municipal em Recife, vencida no primeiro turno por Geraldo Julio, do PSB. Implicado do escândalo dos sanguessugas, o ex-ministro da Saúde obteve apenas 154.460 votos. Vale esclarecer que a CPI que investigou o esquema à época não citou Costa em seu relatório final – e o Ministério Público também não ofereceu denúncia contra ele. Outro político listado no caso, Cabo Júlio, disputou a reeleição à Câmara Municipal de Belo Horizonte – e não se elegeu. Júlio é acusado de receber 190 000 reais do esquema dos sanguessugas e responde a processo criminal na Justiça Federal do Mato Grosso.

 Outros que tentaram, sem sucesso, uma vaga no legislativo municipal são Orlando Silva, do PCdoB – defenestrado do comando do Ministério do Esporte na esteira do escândalo de corrupção revelado por VEJA em 2011 -; Vicente Viscome, que passou seis anos na prisão por envolvimento com a Máfia dos Fiscais; Chicão Brígido, acusado de vender seu voto em favor da emenda constitucional que autorizava a reeleição, em 1997; Hamilton Lacerda, envolvido no escândalo dos aloprados, e Marcelo Sereno, personagem do primeiro grande escândalo de corrupção do governo Lula: o caso Waldomiro Diniz.

Agarrados às desculpas mais esfarrapadas, muitos personagens de escândalos de corrupção contam com a falta de memória do eleitor para se manterem ativos na política nacional. Daí a importância de revisitar, um a um, os casos que indignaram o país. O compromisso da Rede de Escândalos não é apenas o de revisitar o passado, ressaltando as lições que o país aprendeu (ou desperdiçou) em cada episódio. É também o de manter o leitor informado sobre o desenrolar de investigações e julgamentos – e sobre o destino daqueles que em algum momento, ou repetidamente, atentaram contra o bem público.

Por Reinaldo Azevedo

 

Serra ironiza marketing de Haddad e diz que novo, no Brasil, é mandar corrupto para a cadeia

Por Bruno Boghossian, no Estadão:
No primeiro dia de campanha do 2º turno da eleição municipal de São Paulo, o candidato do PSDB, José Serra, manteve seu foco sobre o julgamento do mensalão e tentou derrubar o slogan de seu adversário na disputa, Fernando Haddad (PT). Em referência indireta ao mote do “novo” adotado pela campanha petista, Serra disse em entrevista à rádio Jovem Pan que a “grande novidade” do País é a punição aos políticos acusados de corrupção.

“Fala-se muito de novidade no Brasil. A grande inovação hoje em dia é a corrupção levando gente à cadeia, é a impunidade que começa a acabar. Não tem (novidade) maior pra quem está atrás de novidade na vida pública brasileira”, disse o tucano. “É evidente que na questão nacional há um mal que não pode ser ignorado, que é a questão da ética, da verdade, da corrupção… É tratar governo como se fosse propriedade privada.”

Na disputa entre PSDB e PT no 2º turno, Serra vai adotar um discurso baseado na ética, com o objetivo de ligar os petistas a casos de corrupção. “Quem fala do mensalão é a imprensa, é a opinião pública, são as pessoas que eu encontro na rua. A campanha não é realizada fora do planeta Terra e fora do nosso País, então é um assunto que naturalmente aparece”, afirmou.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Juntando os cacos

Derrotas na terra natal

Ideli Salvatti está inconsolável. Um dia após a confirmação das derrotas de candidatos do PT nas principais cidades de Santa Catarina, reduto eleitoral dela, a ministra não escondia o abatimento com o fato de sua participação na campanha ter sido um fracasso retumbante.

Um interlocutor de Ideli explica:

- Perder em Florianópolis já não estava no programa. Agora, a derrota em Blumenau, essa doeu.

Isso sem falar em Chapecó, outro município em que o PT naufragou…

Por Lauro Jardim

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

3 comentários

  • salvador reis neto Santa Tereza do Oeste - PR

    a dilma que se cuide borbosa para presidente, nao presisa de verba pra faser campanha se elege facil facil.

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  • salvador reis neto Santa Tereza do Oeste - PR

    joaquim barbosa presidente do supremo,nao joaquim barbosa para presidnte do brasil, por lula foi imdicado para o supremo mesmo assim nao exitou comdenar seus primcipais companheiros se dirceu e companhia. dale barbosa mineiro dos bom.

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  • normando costantini Campinas - SP

    Reinaldo, o TSE há semans vem "gastando" (ou será gostando ?) uma nota em propaganda.Isso cheira mal,pois com ou sem propaganda,não existe influencia nas eleições.Como esse orgão pertence ao Ministerio da Justiça,.....

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