Preço do milho encerra a sexta-feira desvalorizado na B3 e na CBOT

Publicado em 10/07/2020 17:04 1043 exibições
Chicago caiu mais de 3% e acumulou perdas na semana

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A sexta-feira (10) chega ao final com os preços do milho pouco modificados no mercado físico brasileiro. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, foram percebidas valorizações apenas em Porto de Santos (0,97% e preço de R$ 52,00), Palma Sola/SC (1,12% e preço de R$ 45,00) e Castro/PR (2,22% e preço de R$ 46,00).

Já as desvalorizações apareceram nas praças de Ubiratã/PR (1,19% e preço de R$ 41,50), Marechal Cândido Rondon/PR (1,19% e preço de R$ 41,50) e Eldorado/MS (1,25% e preço de R$ 39,50).

Confira como ficaram todas as cotações nesta sexta-feira

De acordo com o reporte diário da Radar Investimentos, as cotações do mercado físico do milho tiveram alta durante esta semana em São Paulo e nos estados vizinhos. “A oferta é restrita e boa parte do cereal que vem para o estado é destinado para a exportação”.

Os trabalhos de colheita da segunda safra de milho seguem avançando pelo Brasil, mas mesmo assim as cotações do cereal seguem sustentadas. O indicador Esalq/BM&FBovespa, por exemplo, terminou a quinta-feira (09) cotado à R$ 50,31 depois de terminar a última semana em R$ 49,65.

De acordo com o analista de mercado da Céleres Consultoria, Anderson Galvão, esta sustentação vem de alguns fatores principais, entre eles as movimentações cambiais com o dólar valorizado, demandas aquecidas no país e no exterior e uma produção dos Estados Unidos menor do que o esperado.

B3

Os preços futuros do milho operaram no campo negativo na maior parte desta sexta-feira. As principais cotações registravam perdas entre 0,59% 1,93% por volta das 16h21 (horário de Brasília).

O vencimento julho/20 era cotado à R$ 50,90 com queda de 0,59%, o setembro/20 valia R$ 47,81 com baixa de 1,83%, o novembro/20 era negociado por R$ 49,19 com desvalorização de 1,93% e o janeiro/21 tinha valor de R$ 51,00 com perda de 0,72%.

Os contratos do cereal brasileiro seguiram as flutuações cambiais, que por volta das 16h24 (horário de Brasília) registravam desvalorização de 0,45% com o dólar cotado à R$ 5,31.

Galvão acredita ser pouco provável que o dólar caia abaixo dos R$ 5,00 ou R$ 4,90 e esse fator deve manter a sustentação do cereal. Já as demandas devem seguir aquecidas, em especial pelos setores de proteína animal que consomem o milho na ração. Pelo lado da safra norte-americana, o país plantou menos áreas do que o esperado inicialmente e o menor volume de milho saindo dos EUA pode abrir mais espaço para o brasileiro.

Diante de todo esse cenário, Galvão avalia 2020 como um ano de preços médios e sustentados para o milho no Brasil e enxerga perspectivas de um 2021 ainda positivo para o setor no país.

“Conforme os preços se mantém firmes e vão sinalizando que ficarão firmes em 2021, o produtor começa a pensar em plantar mais milho do que soja na próxima safra verão 2020/21 e aumentar área na safrinha 21”, comenta o analista.

Mercado Externo

Já os preços futuros do milho despencaram na Bolsa de Chicago (CBOT) neste último dia da semana. As principais cotações registraram movimentações negativas entre 10,75 e 12,25 pontos ao final do dia.

O vencimento julho/20 foi cotado à US$ 3,40 com queda de 10,75 pontos, o setembro/20 valeu US$ 3,37 com perda de 11,50 pontos, o dezembro/20 foi negociado por US$ 3,44 com desvalorização de 12,25 pontos e o março/21 teve valor de US$ 3,55 com baixa de 11,75 pontos.

Esses índices representaram quedas, com relação ao fechamento da última quinta-feira, de 3,13% para o julho/20, de 3,16% para o setembro/20, de 3,64% para o dezembro/21 e de 3,01% para o março/21.

Com relação ao fechamento da última semana, na quinta-feira (02), os futuros do milho acumularam desvalorizações de 0,58% para o julho/20, de 1,75% para o setembro/20, de 2,55% para o dezembro/20 e de 2,74% para o março/21.

Segundo informações da Agência Reuters, os preços futuros do milho nos Estados Unidos caíram na sexta-feira, com o clima das safras parecendo favorável, e o presidente Donald Trump dizendo que o relacionamento do país com o parceiro comercial China foi severamente prejudicado.

Além disso, o relatório mensal do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) ficou abaixo das expectativas dos analistas, embora as estimativas não fossem surpreendentes o suficiente para elevar os preços das safras.

“Os comerciantes estão prestando muita atenção às previsões meteorológicas dos EUA, porque a safra de milho está em um estágio fundamental para o desenvolvimento”, comenta Tom Polansek da Reuters Chicago.

“Sem uma surpresa otimista saindo deste relatório, voltamos a negociar previsões do tempo”, disse Karl Setzer, analista de risco de commodities da AgriVisor.

A publicação destaca ainda que os comentários de Trump sobre a China aumentaram a pressão sobre os preços das safras, alimentando dúvidas sobre se Pequim cumprirá as promessas de comprar mais produtos agrícolas dos EUA, disse Brian Hoops, presidente da Midwest Market Solutions. As tensões se intensificaram com as críticas dos EUA ao tratamento da China contra o surto de coronavírus.

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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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