Milho tem semana estável no Brasil, mas pode iniciar tendência de queda

Publicado em 03/04/2020 16:57 e atualizado em 05/04/2020 11:36 1084 exibições
Perdas em Chicago se aliviam nesta 6ªfeira, mas cotações caem mais de 6% na semana

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Essa foi mais uma semana de preços do milho no mercado interno brasileiro registrando poucas movimentações e se mantendo sustentados em diversas praças pelo país. Em levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, a única desvalorização foi registrada em Cascavel/PR (1,16% e preço de R$ 42,50), enquanto a única valorização aconteceu no Oeste da Bahia (0,11% e preço de R$ 45,15).

Apesar das cotações estarem altas e o mercado sustentado desde o ano passado, este cenário deve mudar e os preços começaram a regredir a partir de agora, na visão do analista de mercado da Germinar Corretora, Roberto Carlos Rafael.

“Nós esperávamos que os preços de março seriam os maiores, mas os preços já estão caindo. Tem alguma coisa de 60 reais que está saindo, mas estamos percebendo que o consumo esta sendo retraído. Mas ainda são preços extremamente remuneradores para o produtor”, comenta Rafael.

Segundo o analista, a entrada de oferta da safra verão colhida em algumas regiões como Minas Gerais e Goiás ajuda a pressionar as cotações, inclusive na bolsa brasileira, que apresenta preços “extremamente baixos”.

Na opinião dele o milho chegou ao seu limite de altas e devemos ter uma redução daqui para frente. “Com a redução do consumo e uma oferta mais abundante chegando de Minas Gerais no mercado precisamos tomar cuidado porque os preços estão retraindo um pouco. Estamos vivendo um momento de incertezas, não sabemos o dia de amanhã sobre como o mercado vai se comportar. Essa questão de demanda tem um futuro muito incerto”, diz o analista.

Rafael aponta ainda que, aqueles produtores que trabalharam com antecipação das vendas da produção desta próxima safrinha e buscaram realizar médias de preços vão conseguir atingir patamares melhores de rentabilidade do que aqueles que deixaram grandes volumes ainda não negociados, e recomenda que os produtores sigam atentos aos desdobramentos do mercado para a demanda interna, desenvolvimento da safrinha e cotação do dólar, além do tamanho da safra e da demanda americana.

Confira como ficaram todas as cotações nesta sexta-feira.

B3

A bolsa brasileira operou em alta durante toda está sexta-feira, com as principais cotações subindo até 1,61% ao longo do dia. Por volta das 17h03 (horário de Brasília), o vencimento maio/20 era cotado à R$ 49,18 com valorização de 1,61%, o julho/20 valia R$ 45,85 com elevação de 0,77%, o setembro/20 era negociado por R$ 43,90 com ganho de 0,46% e o janeiro/21 teve valor de R$ 47,00 com alta de 1,03%.

Mercado Externo

A sexta-feira (03) foi bastante movimentada para os preços internacionais do milho futuro na Bolsa de Chicago (CBOT) e chega ao final com resultados em campo misto. As principais cotações registraram flutuações entre 2,75 pontos negativos e 1 ponto positivo ao final do dia.

O vencimento maio/20 foi cotado à US$ 3,30 com desvalorização de 2,75 pontos, o julho/20 valeu US$ 3,36 com baixa de 1,75 pontos, o setembro/20 foi negociado por US$ 3,42 com alta de 0,25 pontos e o dezembro/20 teve valor de US$ 3,50 com ganho de 1 ponto.

Esses índices representaram quedas, com relação ao fechamento da última quinta-feira, de 0,90% para o maio/20 e de 0,59% para o julho/20, além de estabilidade para o setembro/20 e ganho de 0,29% para o dezembro/20.

Com relação ao fechamento da última sexta-feira (27), os futuros do milho acumularam perdas de 4,62% para o maio/20, de 4,27% para julho/20, de 3,93% para o setembro/20 e de 3,85% para o dezembro/20, na comparação dos últimos sete dias.

Segundo informações da Agência Reuters, o milho estendeu uma queda de seis dias e atingiu as maiores baixas do contrato em vários meses, embora as perdas tenham sido reduzidas por uma recuperação do petróleo bruto.

A publicação aponta que o milho foi atacado pela queda na demanda de etanol, uma vez que o petróleo caiu para mínimos de vários anos nesta semana devido ao COVID-19 e disputas entre a Arábia Saudita e a Rússia. Os mercados de petróleo se recuperaram desde quinta-feira, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que negociou um acordo sobre cortes de produção entre a Arábia Saudita e a Rússia.

“Parece que estamos aliviando a queda no mercado de petróleo e não vamos para US$ 10,00 o barril. Apesar disso, os ganhos do milho podem não serem sustentados sem colheitas menores e demanda de exportação acelerada. Para ter alguma tração, você precisa ter uma alta do petróleo, o estoque da América do Sul precisa ver a secura e precisamos da compra da China. Além de ter algum estresse climático aqui nos EUA”, disse Bob Utterback, da Utterback Marketing.

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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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