Milho encerra semana de altas, com Campinas/SP subindo 5% no período

Publicado em 14/08/2020 16:44 e atualizado em 16/08/2020 11:11 904 exibições
Chicago fica estável, mas sobe mais de 5% na semana

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A sexta-feira (14) chega ao final com os preços do milho mais uma vez em alta no mercado físico brasileiro. Em levantamento realizado pela equipe do Noticias Agrícolas, não foram percebidas desvalorizações em nenhuma das praças.

Já as valorizações apareceram em Ponta Grossa/PR (2,04% e preço de R$ 50,00), Rio do Sul/SC (2,13% e preço de R$ 48,00), Maracaju/MS (2,22% e preço de R$ 46,00), Brasília/DF (2,27% e preço de R$ 45,00), Tangará da Serra/MT (2,44% e preço de R$ 42,00), Campo Novo do Parecis/MT (2,50% e preço de R$ 41,00), Campo Grande/MS (4,65% e preço de R$ 45,00) e Oeste da Bahia (4,65% e preço de R$ 45,00).

Confira como ficaram todas as cotações nesta sexta-feira

De acordo com reporte diário da Radar Investimentos, esta foi mais uma semana de alta consecutiva do milho em São Paulo. “O produtor retém o produto colhido na medida em que a colheita vai chegando na porção final em boa parte dos estados, mesmo com a queda do dólar”.

A segunda safra de milho no Brasil já está 74% colhida até o final da última semana, levemente atrasada com relação a media dos últimos 5 anos que é de 78%. As produções também estão dentro do esperado, mas os preços do cereal seguem subindo em plena colheita.

Segundo o chefe do setor de grãos da Datagro Consultoria, Flávio França Jr., a atual safra já está 70% comercializada, com isso o produtor colhe e já cumpre estes contratos, mantendo a falta de oferta no mercado, já que não há necessidade de alavancar recursos neste momento. “Estamos em entressafra antecipada”, diz.

Apesar das valorizações recentes, o analista enxerga uma queda no preço da saca de milho entre R$ 2,00 e R$ 3,00 para os meses de setembro e outubro visando alavancar a parte final das exportações. Segundo seus dados, o país já vendeu 28 milhões de toneladas para exportação e precisa de mais 7 ou 8 milhões para reduzir a oferta.

“Hoje os preços nos portos estão entre 55 e 56 reais e a base Campinas em R$ 55,00. Isso desestimula a exportação e pode levar à um excedente de oferta no final do ano. Com essa pequena queda os volumes embarcados devem aumentar, a oferta volta a ficar ajustada e os preços podem retomar altas entre novembro e dezembro”, explica França.

Diante deste cenário, o conselho é que aquele produtor que precise vender novos lotes nos próximos meses para pagar novas contas deve optar por vendas neste momento. Já que está bem vendido e capitalizado pode aguardar momentos futuros na entressafra de virada do ano.

B3

Os preços futuros do milho também registraram ganhos neste último da semana. As principais cotações contabilizavam movimentações positivas entre 0,63% e 1,58% por volta das 16h21 (horário de Brasília).

O vencimento setembro/20 era cotado à R$ 58,40 com alta de 1%, o novembro/20 valia R$ 57,65 com ganho de 1,14%, o janeiro/21 foi negociado por R$ 57,80 com valorização de 1,58% e o março/21 tinha valor de R$ 55,95 com elevação de 0,63%.

O cenário é positivo também para as próximas safras, tanto a verão 2020/21 quanto a segunda safra em 2021. A Datagro estima um aumento na área cultivada de 2% para o plantio de verão e 3% para a safrinha, mas este segundo índice pode ser ainda maior de acordo com o clima e as condições de semeadura da soja na primeira safra.

França destaca ainda que, cerca de 25% da produção estimada em 2021 já foi negociada e acredita que ainda há espaço para novos negócios, já que a tendência é que o dólar caia no ano que vem e estes patamares se retraiam um pouco.

“Este é um número extremamente acelerado, não se tem nenhum caso parecido e o produtor não vai deixar de plantar milho já tendo tanto vendido. A safra 2021 tem potencial de produzir 112 milhões de toneladas contra as 103,5 milhões de 2020”, afirma o analista.

Mesmo com o aumento de produção, o mercado ainda deve ser positivo para o produtor de milho brasileiro, uma vez que a demanda seguirá aquecida nos setores de proteínas animais, etanol de milho e nas exportações, que deve absorver entre 30 e 35 milhões de toneladas.

Mercado Externo

Já a Bolsa de Chicago (CBOT) fechou a semana com poucas movimentações para os preços internacionais futuros do milho. As principais cotações registraram movimentações negativas entre 0,25 e 0,75 pontos ao final do dia.

O vencimento setembro/20 foi cotado à US$ 3,24 com desvalorização de 0,75 pontos, o dezembro/20 valeu US$ 3,38 com queda de 0,75 pontos, o março/21 foi negociado por US$ 3,49 com perda de 0,50 pontos e o maio/21 teve valor de US$ 3,56 com baixa de 0,25 pontos.

Esses índices representaram baixas, com relação ao fechamento da última quinta-feira, de 0,31% para o setembro/20 e de 0,28% para o maio/22, além de estabilidade para o dezembro/20 e para o março/21.

Com relação ao fechamento da última semana, os futuros do milho acumularam valorização de 5,54% para o setembro/20, de 5,62% para o dezembro/20, de 5,12% para o março/21 e de 4,40% para o maio/21 na comparação com a última sexta-feira (07).

Segundo informações da Agência Reuters, o milho de Chicago caiu ligeiramente na sexta-feira, enquanto os comerciantes questionavam os dados da área federal e avaliavam a extensão dos danos causados ​​pela tempestade no meio-oeste dos Estados Unidos.

“Os preços caíram no início do dia, depois que uma alta na sessão anterior que impulsionou os futuros de milho para uma alta de quatro semanas”, comenta P.J. Huffstutter da Reuters Chicago.

A publicação destaca ainda que, a tempestade Derecho, com ventos semelhantes aos de um furacão, atingiu o cinturão de grãos do Meio-Oeste na segunda-feira, afetando até 14 milhões de acres em Iowa, acima das estimativas anteriores de 10 milhões de acres, de acordo com a Associação de Soja de Iowa.

Relembre outras informações desta semana sobre o milho:

>> Milho: demanda aquecida faz com que indicador retorne para a casa dos R$ 52/sc

>> Em apenas uma semana de agosto exportação de milho foi 49% do total de julho; média diária é maior do que em 2019

>> Após estiagem nas lavouras de milho, Cândido Mota/SP enfrenta dificuldade na colheita com umidade dos grãos

>> Primeiras áreas colhidas de milho em Laguna Carapã/MS produziram entre 40 e 70 sacas por hectare

>> Restam apenas 2% das lavouras de milho para serem colhidas em MT; vendas já estão em 90% e produtores seguram o restante

>> Conab estima safra recorde de milho no Brasil com 102,1 milhões de toneladas

>> Colheita do milho avança para 51% do total no Paraná, diz Deral

>> Produtores de milho no Mato Grosso armazenam os 10% restantes desta safra e avançam nas vendas da temporada 20/21

>> Colheita do milho avança no norte do MS, enquanto região sul sofre com baixas temperaturas

>> Demanda aquecida e retração vendedora impulsionam preço do milho em Goiás

>> Com colheita do milho encerrada, Tapurah/MT contabiliza ganhos do grão e se prepara para plantio da soja

>> Argentina já colheu 99% das lavouras de milho

>> Datagro enxerga queda entre 2 e 3 reais para a saca de milho em setembro/outubro para estimular exportações

>> Plantio do milho verão 20/21 já começou no Rio Grande do Sul

>> Rondonópolis/MT mal acabou de colher o milho e já vendeu mais de 40% da segunda safra de 2021

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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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